Ano passado fui convidada para trabalhar na inauguração de um bar e quando fui chamar uma amiga para ir ao tal bar, ela me respondeu incrédula: “O queeeee? Você trabalhando? Não!” E eu só não fiquei braba com o comentário, pois admito que tenho uma certa alergia a trabalho. E não, meu trabalho não era dançar no balcão do bar como ela achou que eu ia fazer. Aliás, naquela noite descobri que só sirvo para freqüentar bares e não trabalhar neles. Tanto é que depois dessa noite fiquei um bom tempo sem fazer porra nenhuma da vida. Mas enfim...
Pra quem não sabe, essa que vos escreve esteve trabalhando durante os últimos três meses. Pois é. Trabalhando. E confesso que foi difícil me acostumar a ter uma rotina toda programada. Por sinal, rotina é uma palavra que me dá um embrulho no estômago, mas não adianta, às vezes não tem como escapar da dita cuja. E não vou negar que quase todo dia quando o despertador tocava e a Blondie começava a cantar “One way or another” eu queria chorar e pensava: “Ah, hoje eu não vou trabalhar!” Mas o meu maldito senso de responsabilidade sempre levava a melhor e conseguia me arrancar da cama e me fazer sair de casa pra salvar o mundo.
Mas apesar da preguiça constante e dos altos e baixos esses três meses passaram rápido e eu me encontro estoicamente viva. Viva e entediada. Pois é. Ontem foi meu primeiro dia em casa e depois de acordar 13h32min totalmente desnorteada e achando que estava completamente atrasada para trabalhar, respirei fundo e um pouco depois já senti o tédio se aproximando como quem não quer nada e comecei a me sentir invadida por uma leve angústia.
Vai entender né? Quando está em casa, reclama que queria estar trabalhando e quando está trabalhando, até pagaria pra ficar em casa. Ô guria insatisfeita da porra!
P.S. Reza a lenda que o trabalho enobrece o homem. Mas eu não estou me sentindo muito nobre no momento. Será que tem alguma coisa errada comigo? E a propósito, alguém não teria trabalho pra me oferecer?
Wednesday, August 13, 2008
Saturday, August 09, 2008
Nós amamos o Google
Quando a sua melhor amiga te pede ajuda desesperadamente pra lavar roupa suja é claro que você não vai dizer não e recusar tal programa de índio. E assim começa a saga das donas de casa desesperadas.
Em menos de 24 horas, três consultas ao Google, começando por: “Como lavar roupas”. Pois é, depois que você volta de viagem as roupas não se lavam sozinhas. E talvez fosse mais fácil ligar pra algum parente perguntando como executar tal procedimento, mas você não quer dar o braço a torcer que você é uma inútil e não entende nada de afazeres domésticos. Tal tarefa a primeira vista parece simples, mas na verdade não é bem assim. Eis que surge a idéia de acessar o Google pra auxiliar nessa jornada.
Não que ele tenha acrescentado alguma informação que nós já não sabíamos, do tipo: não misturar roupas brancas com coloridas e blá blá blá, mas depois de consultá-lo nos sentimos muito mais seguras na hora de entrar em ação. E devo ressaltar que ainda contávamos com a participação especial da centrifuga, que a minha estimada companheira de lavanderia nunca tinha ouvido falar. Isso na verdade me deu um alento, pois afinal existia alguém que sabia menos do que eu a respeito de roupas sujas e afins. Eu já conhecia a tal da centrifuga da minha infância porque minha avó costumava usá-la, mas devo confessar que não me lembrava que ela era tão assustadora e tremia tanto. Mas no final deu tudo certo e as roupas ficaram limpas e saíram quase secas da centrifuga. Ponto pra nós. Yeah!
Segunda consulta: “Como fazer strogonoff”. Bom, depois de lavar roupa suja é claro que nós teríamos que nos aventurar na cozinha e nessa parte da casa, devo admitir que sou um total desastre. Depois de experiências catastróficas com bolos de cenoura decidi me aposentar desse tipo de atividade, então coube a minha pessoa apenas a parte da degustação nesse fatídico dia. O strogonoff ficou ótimo, diga-se de passagem. Já não digo o mesmo do arroz. Mas como eu só ajudei na hora de comer, vou poupar comentários sobre ele.
E por fim a última consulta do dia: “Como limpar a piscina”. Sim, ela estava imunda e não, ela também não se limpa sozinha. Tá, na verdade ela se limpa sozinha sim, mas você precisa saber quais botões apertar. Mas enfim... Pra encurtar a história deu tudo certo no final e todo mundo da casa ficou satisfeito com os progressos alcançados nesse dia. Acho que já dá quase pra nós irmos morar sozinhas. E tudo isso não seria possível sem o auxílio do maravilhoso Google, que nunca nos deixa na mão (tá, às vezes deixa sim, mas não vem ao caso). Então um viva pro Google. Viva! Uhuuul!
Em menos de 24 horas, três consultas ao Google, começando por: “Como lavar roupas”. Pois é, depois que você volta de viagem as roupas não se lavam sozinhas. E talvez fosse mais fácil ligar pra algum parente perguntando como executar tal procedimento, mas você não quer dar o braço a torcer que você é uma inútil e não entende nada de afazeres domésticos. Tal tarefa a primeira vista parece simples, mas na verdade não é bem assim. Eis que surge a idéia de acessar o Google pra auxiliar nessa jornada.
Não que ele tenha acrescentado alguma informação que nós já não sabíamos, do tipo: não misturar roupas brancas com coloridas e blá blá blá, mas depois de consultá-lo nos sentimos muito mais seguras na hora de entrar em ação. E devo ressaltar que ainda contávamos com a participação especial da centrifuga, que a minha estimada companheira de lavanderia nunca tinha ouvido falar. Isso na verdade me deu um alento, pois afinal existia alguém que sabia menos do que eu a respeito de roupas sujas e afins. Eu já conhecia a tal da centrifuga da minha infância porque minha avó costumava usá-la, mas devo confessar que não me lembrava que ela era tão assustadora e tremia tanto. Mas no final deu tudo certo e as roupas ficaram limpas e saíram quase secas da centrifuga. Ponto pra nós. Yeah!
Segunda consulta: “Como fazer strogonoff”. Bom, depois de lavar roupa suja é claro que nós teríamos que nos aventurar na cozinha e nessa parte da casa, devo admitir que sou um total desastre. Depois de experiências catastróficas com bolos de cenoura decidi me aposentar desse tipo de atividade, então coube a minha pessoa apenas a parte da degustação nesse fatídico dia. O strogonoff ficou ótimo, diga-se de passagem. Já não digo o mesmo do arroz. Mas como eu só ajudei na hora de comer, vou poupar comentários sobre ele.
E por fim a última consulta do dia: “Como limpar a piscina”. Sim, ela estava imunda e não, ela também não se limpa sozinha. Tá, na verdade ela se limpa sozinha sim, mas você precisa saber quais botões apertar. Mas enfim... Pra encurtar a história deu tudo certo no final e todo mundo da casa ficou satisfeito com os progressos alcançados nesse dia. Acho que já dá quase pra nós irmos morar sozinhas. E tudo isso não seria possível sem o auxílio do maravilhoso Google, que nunca nos deixa na mão (tá, às vezes deixa sim, mas não vem ao caso). Então um viva pro Google. Viva! Uhuuul!
Friday, July 11, 2008
Preguiça de amar
Depois que você bate a cabeça, fica desorientada e perde o juízo, dignidade, amor-próprio e bom senso (trocando em miúdos, se apaixona por alguém) e supera isso, dá tanta, mas tanta preguiça de começar tudo de novo.
Sejamos francos. Você achou que ia passar um bom tempo do lado daquela pessoa e de repente: Puf! Acabou! Demora um tempo pra acostumar com a idéia de que vocês não vão mais juntar os trapinhos e viver felizes para sempre. E quando você começa a acostumar você lembra: Ah tá, vou conhecer outra pessoa, saber de cada detalhe da vida dela e ela da minha, aprender a conviver com todos os defeitos dela, levá-la pra conhecer minha mãe e amar cada milímetro da existência daquele ser pra depois levar um chute na bunda ou levar um par de chifres e ficar num estado deplorável de novo. Pra quê? E aqui desculpe minha descrença nos seres humanos e no amor eterno. Amor eterno o caralho. É por essas e outras que dá preguiça de amar.
Mas tudo bem. A gente nunca desiste e tenta dar uma chance pro amor de novo. Passa um tempinho (que varia de pessoa para pessoa) e você já se sente preparada psicologicamente pra dar uma chance pra outro romance e se envolver com alguém novamente, aí você conhece uma pessoa e pensa: “Agora eu vou ser feliz.” Há, ledo engano minha cara. Sei lá que macumba que jogaram em você, mas não adianta. Você nasceu pra se foder no amor e precisa aceitar isso. Mas dessa vez você faz algo que surpreende até você mesma. Consegue pular fora dessa armadilha filha da puta que te armaram. “Se de cara já deu tudo errado é melhor nem insistir muito mesmo” pensa você. Muito bem. Pelo menos alguma coisa você aprendeu.
E agora? Agora nada. Amar dá trabalho. E trabalho dá preguiça. E pra falar a verdade tá muito frio pra se incomodar com isso. Se o amor quiser me encontrar eu tô ali, embaixo do cobertor. Se não quiser tudo bem, eu ando com preguiça dele e de tudo mesmo.
Sejamos francos. Você achou que ia passar um bom tempo do lado daquela pessoa e de repente: Puf! Acabou! Demora um tempo pra acostumar com a idéia de que vocês não vão mais juntar os trapinhos e viver felizes para sempre. E quando você começa a acostumar você lembra: Ah tá, vou conhecer outra pessoa, saber de cada detalhe da vida dela e ela da minha, aprender a conviver com todos os defeitos dela, levá-la pra conhecer minha mãe e amar cada milímetro da existência daquele ser pra depois levar um chute na bunda ou levar um par de chifres e ficar num estado deplorável de novo. Pra quê? E aqui desculpe minha descrença nos seres humanos e no amor eterno. Amor eterno o caralho. É por essas e outras que dá preguiça de amar.
Mas tudo bem. A gente nunca desiste e tenta dar uma chance pro amor de novo. Passa um tempinho (que varia de pessoa para pessoa) e você já se sente preparada psicologicamente pra dar uma chance pra outro romance e se envolver com alguém novamente, aí você conhece uma pessoa e pensa: “Agora eu vou ser feliz.” Há, ledo engano minha cara. Sei lá que macumba que jogaram em você, mas não adianta. Você nasceu pra se foder no amor e precisa aceitar isso. Mas dessa vez você faz algo que surpreende até você mesma. Consegue pular fora dessa armadilha filha da puta que te armaram. “Se de cara já deu tudo errado é melhor nem insistir muito mesmo” pensa você. Muito bem. Pelo menos alguma coisa você aprendeu.
E agora? Agora nada. Amar dá trabalho. E trabalho dá preguiça. E pra falar a verdade tá muito frio pra se incomodar com isso. Se o amor quiser me encontrar eu tô ali, embaixo do cobertor. Se não quiser tudo bem, eu ando com preguiça dele e de tudo mesmo.
Wednesday, July 02, 2008
Esfihas e reflexões sobre a vida
Ontem eu vi uma caixa de esfihas do Habib’s dando sopa em cima do balcão e pensei: “Hum, que vontade. Mas eu não vou comer isso não porque tenho certeza que vou passar mal depois”. Como minha força de vontade não é lá muito grande, dois minutos depois eu estava devorando as ditas esfihas e três horas depois estava pensando: “Malditas!” Pelo fato delas não pararem de ficar me mandando lembranças. Nada que um Eno não resolvesse, mas mesmo assim...
Fica claro com o exemplo que eu já imaginava que a história não ia ter um final feliz, mas como eu sou teimosa é claro que eu fui lá, toquei o foda-se e comi as esfihas. E não é a primeira vez que isso me acontece (e não, eu não estou falando de esfihas). Na verdade a gente sabe o que é errado e o que pode não fazer bem, mas a gente não tá nem aí e não pensa nas conseqüências e depois fica se lamentando. Sempre temos uma escolha num determinado momento e a partir daí é por nossa conta e risco sempre. Então não adianta ficar choramingando depois, porque você teve um momento de decisão e se você escolheu o caminho errado, o problema é exclusivamente seu. Se um Eno não puder resolver teu problema, meu bem, azar o seu. Ninguém mandou ser idiota e comer as malditas esfihas. E sim, estou me referindo as esfihas metafóricas da vida, que costumam incomodar bem mais do que uma simples azia...
Fica claro com o exemplo que eu já imaginava que a história não ia ter um final feliz, mas como eu sou teimosa é claro que eu fui lá, toquei o foda-se e comi as esfihas. E não é a primeira vez que isso me acontece (e não, eu não estou falando de esfihas). Na verdade a gente sabe o que é errado e o que pode não fazer bem, mas a gente não tá nem aí e não pensa nas conseqüências e depois fica se lamentando. Sempre temos uma escolha num determinado momento e a partir daí é por nossa conta e risco sempre. Então não adianta ficar choramingando depois, porque você teve um momento de decisão e se você escolheu o caminho errado, o problema é exclusivamente seu. Se um Eno não puder resolver teu problema, meu bem, azar o seu. Ninguém mandou ser idiota e comer as malditas esfihas. E sim, estou me referindo as esfihas metafóricas da vida, que costumam incomodar bem mais do que uma simples azia...
Friday, June 06, 2008
It's way too late to be this locked inside ourselves
Há algum tempo atrás eu estava no banheiro da faculdade e minha amiga começou a cantarolar uma música do Jota Quest. Imediatamente eu disse: Credo, pára de cantar isso. E ela respondeu que aquela música era a música dela com o namorado.
Claro que eu achei uó e pensei que a trilha sonora do meu romance era bem melhor que a dela porque tinha The Subways, Arcade Fire, She Wants Revenge, Interpol e etc. Mas ok. Gosto não se discute e nem vou entrar nesses méritos. O fato é que em minha opinião toda história de amor deve ter sua trilha sonora (por pior e mais melosa que ela seja). Porque é tão bom ouvir aquela música com aquela pessoa especial e poder acreditar que vai durar pra sempre (ou pelo menos até o final do mês). Que você vai poder escrever num tronquinho suas iniciais e a do seu amor (ai que bicha). Que vocês vão ficar juntos e enfrentar todos os obstáculos do mundo (ahaaam, claro). E que no dia do casamento de vocês, vão tocar aquelas músicas que embalaram seus momentos maravilhosos e você vão ficar emocionados e chorar. Tá, parei porque o texto já tá ficando meio brega.
Obviamente que depois que o relacionamento acaba e você ouve as benditas músicas você vai querer bater com a cabeça na parede e chorar até ficar desidratada. Por isso não é nada recomendável ouvir a trilha sonora do amor num pós-término. Mas depois que o tempo passa e fica tudo bem dá pra ouvir as musiquinhas numa buena. Sem ódio nem ressentimento (dependendo dos casos). E são tão legais esses momentos de nostalgia. Você chegar até a pensar: “Ah, deu tudo errado e eu me fudi, mas tudo bem. Pelo menos a gente tinha uma trilha sonora bem bacana”. Sei lá se isso serve de consolo, mas enfim...
Claro que eu achei uó e pensei que a trilha sonora do meu romance era bem melhor que a dela porque tinha The Subways, Arcade Fire, She Wants Revenge, Interpol e etc. Mas ok. Gosto não se discute e nem vou entrar nesses méritos. O fato é que em minha opinião toda história de amor deve ter sua trilha sonora (por pior e mais melosa que ela seja). Porque é tão bom ouvir aquela música com aquela pessoa especial e poder acreditar que vai durar pra sempre (ou pelo menos até o final do mês). Que você vai poder escrever num tronquinho suas iniciais e a do seu amor (ai que bicha). Que vocês vão ficar juntos e enfrentar todos os obstáculos do mundo (ahaaam, claro). E que no dia do casamento de vocês, vão tocar aquelas músicas que embalaram seus momentos maravilhosos e você vão ficar emocionados e chorar. Tá, parei porque o texto já tá ficando meio brega.
Obviamente que depois que o relacionamento acaba e você ouve as benditas músicas você vai querer bater com a cabeça na parede e chorar até ficar desidratada. Por isso não é nada recomendável ouvir a trilha sonora do amor num pós-término. Mas depois que o tempo passa e fica tudo bem dá pra ouvir as musiquinhas numa buena. Sem ódio nem ressentimento (dependendo dos casos). E são tão legais esses momentos de nostalgia. Você chegar até a pensar: “Ah, deu tudo errado e eu me fudi, mas tudo bem. Pelo menos a gente tinha uma trilha sonora bem bacana”. Sei lá se isso serve de consolo, mas enfim...
Wednesday, May 07, 2008
Dirty little secrets
Às vezes as pessoas não tem nada melhor pra fazer e resolvem inventar jogos estranhos pra passar o tempo. E foi o que aconteceu nessa noite em questão quando resolvemos brincar de “conte algo pra pessoa ao lado que ela ainda não saiba”. Sei lá que raio de brincadeira foi essa, mas todo mundo resolveu participar mesmo já sabendo desde o começo que ia dar merda.
De inicio ninguém contou nada muito bombástico. Apenas revelações corriqueiras que não mudaram o curso da vida de ninguém. Mas essa que vos escreve guardava um terrível segredo há algum tempo já, tipo uns dois anos. E quanto mais passava o tempo, mais ficava difícil se livrar desse fardo. Mas naquela noite decidi que precisava me libertar disso e quando chegou minha vez de falar nessa fabulosa brincadeira fiz um pouco de mistério e comecei a despejar as informações: “Então, lembra aquela noite que fomos na all starz e quando voltamos pra casa ficamos presas pra fora porque tínhamos perdido as chaves e tivemos que ficar no Kharina fazendo hora até podermos entrar na sua casa? Pois é. A chave estava o tempo todo na minha bolsa, só que eu só fui encontrá-la dia seguinte quando procurei melhor. E depois disso eu fiquei com medo de te contar isso porque eu sabia que você ia ficar puta”. Quando eu terminei de contar a minha pequena omissãozinha juro me senti mais leve, apesar do olhar incrédulo das pessoas por eu não ter contado isso antes. Não era tão grande coisa assim, mas sabe como é né? Os dias vão passando e quando você pensa melhor no assunto resolve que é melhor deixar pra lá e não falar nada...
Valeu a pena contar? Valeu. Porque eu não sei por quanto tempo mais conseguiria manter isso comigo. Por outro lado a cara de “vou te matar” que fizeram pra mim não foi lá muito agradável. Mas esse é o preço da sinceridade gratuita, não? Claro que da próxima vez vou pensar duas vezes em compartilhar certas informações com as pessoas, porque às vezes elas são mais felizes sem saber de certas coisinhas.
De inicio ninguém contou nada muito bombástico. Apenas revelações corriqueiras que não mudaram o curso da vida de ninguém. Mas essa que vos escreve guardava um terrível segredo há algum tempo já, tipo uns dois anos. E quanto mais passava o tempo, mais ficava difícil se livrar desse fardo. Mas naquela noite decidi que precisava me libertar disso e quando chegou minha vez de falar nessa fabulosa brincadeira fiz um pouco de mistério e comecei a despejar as informações: “Então, lembra aquela noite que fomos na all starz e quando voltamos pra casa ficamos presas pra fora porque tínhamos perdido as chaves e tivemos que ficar no Kharina fazendo hora até podermos entrar na sua casa? Pois é. A chave estava o tempo todo na minha bolsa, só que eu só fui encontrá-la dia seguinte quando procurei melhor. E depois disso eu fiquei com medo de te contar isso porque eu sabia que você ia ficar puta”. Quando eu terminei de contar a minha pequena omissãozinha juro me senti mais leve, apesar do olhar incrédulo das pessoas por eu não ter contado isso antes. Não era tão grande coisa assim, mas sabe como é né? Os dias vão passando e quando você pensa melhor no assunto resolve que é melhor deixar pra lá e não falar nada...
Valeu a pena contar? Valeu. Porque eu não sei por quanto tempo mais conseguiria manter isso comigo. Por outro lado a cara de “vou te matar” que fizeram pra mim não foi lá muito agradável. Mas esse é o preço da sinceridade gratuita, não? Claro que da próxima vez vou pensar duas vezes em compartilhar certas informações com as pessoas, porque às vezes elas são mais felizes sem saber de certas coisinhas.
Monday, May 05, 2008
Filósofos de boteco
Conversa vai, conversa vem. Assuntos de extrema relevância são discutidos no bar, como por exemplo o caso de Ronaldo e os travecos, o homossexualismo na Grécia antiga, o frio de Curitiba e por aí vai. Na volta pra casa começa uma discussão acalorada sobre relacionamentos e meu amigo pergunta: “Você espera encontrar alguém que preste na balada?” Eu respondo: “Não acho impossível”. Porque pra mim “prestar” é relativo. Depende da situação e do que você julga ser bom pra você naquele momento.
Aliás, eu vou além. Acho que dá pra encontrar pessoas que “prestam” em qualquer lugar. O problema é que às vezes eu tenho medo das pessoas porque eu penso: “Se eu sou um traste porque aquela pessoa vai ser melhor do que eu?”. É melhor ir esperando o pior mesmo, porque no máximo você vai dizer: É, eu já sabia que isso ia acontecer. Claro que pode acontecer da pessoa te surpreender positivamente, mas é bem mais raro. Mas o fato é que o que não presta sempre me despertou o interesse. E eu sei que isso também acontece com 77,13% das pessoas que eu conheço. Ok, a estatística é forjada mas era só pra dar um pouco mais de credibilidade pra história. Entretanto a linha de pensamento tem seu fundo de verdade. Acho que pessoas “certinhas” nunca fizeram o meu tipo e não sei se isso um dia mudará.
Como no momento eu não penso em me casar e constituir família o conceito de prestar pra mim não faz tanta diferença. Eu só quero alguém que preste pra conversar, ir ao cinema comigo, andar de mãozinha dada e dormir abraçada no frio. Não é pedir demais, é?
Aliás, eu vou além. Acho que dá pra encontrar pessoas que “prestam” em qualquer lugar. O problema é que às vezes eu tenho medo das pessoas porque eu penso: “Se eu sou um traste porque aquela pessoa vai ser melhor do que eu?”. É melhor ir esperando o pior mesmo, porque no máximo você vai dizer: É, eu já sabia que isso ia acontecer. Claro que pode acontecer da pessoa te surpreender positivamente, mas é bem mais raro. Mas o fato é que o que não presta sempre me despertou o interesse. E eu sei que isso também acontece com 77,13% das pessoas que eu conheço. Ok, a estatística é forjada mas era só pra dar um pouco mais de credibilidade pra história. Entretanto a linha de pensamento tem seu fundo de verdade. Acho que pessoas “certinhas” nunca fizeram o meu tipo e não sei se isso um dia mudará.
Como no momento eu não penso em me casar e constituir família o conceito de prestar pra mim não faz tanta diferença. Eu só quero alguém que preste pra conversar, ir ao cinema comigo, andar de mãozinha dada e dormir abraçada no frio. Não é pedir demais, é?
Saturday, May 03, 2008
Você deve chupar muitos limões porque você é muito amarga
- Vai lá pegar uma cerveja.
- Ah, não. Vai lá Bruna.
- NÃO. Ela pediu pra VOCÊ pegar a cerveja. Qual parte você não entendeu?
(...)
Pois é. Depois eu ainda reclamo quando me chamam de grossa...
- Ah, não. Vai lá Bruna.
- NÃO. Ela pediu pra VOCÊ pegar a cerveja. Qual parte você não entendeu?
(...)
Pois é. Depois eu ainda reclamo quando me chamam de grossa...
Monday, April 14, 2008
Vacas magras, quase anoréxicas
Quando as únicas coisas que você consegue se preocupar num fim de semana são o fato de você precisar trabalhar na segunda, precisar estudar pra prova de Ciências Políticas, ter um seminário pra apresentar e precisar cortar o cabelo urgentemente, só pode significar uma coisa: Você encontrou a paz espiritual! Calma, eu explico...
É que normalmente fins de semana são dedicados a ficar pensando e remoendo todas as merdas que você fez/disse durante a semana. Também são dias onde você procura curar a ressaca moral, que vem acontecendo com freqüência, diga-se de passagem, e faz resoluções de vida pra que a semana seguinte não seja tão trash. Mas quando você aceita que as vacas andam magras e que você não possui uma vida amorosa, aceita que o mundo deu voltas bem estranhas e que você já não se sente mais em sintonia com as pessoas que antes se dava tão bem e aí você pára de ficar reclamando que tudo sempre dá errado, pára de ficar tentando inventar amores e fazer experiências bizarras com as suas emoções, tudo fica bem. Na verdade fica tudo maravilhosamente tedioso, mas e daí? Às vezes a gente cansa de um drama mesmo. E nada como ter outras coisas pra ocupar a cabeça. Faz bem! Eu recomendo...
É que normalmente fins de semana são dedicados a ficar pensando e remoendo todas as merdas que você fez/disse durante a semana. Também são dias onde você procura curar a ressaca moral, que vem acontecendo com freqüência, diga-se de passagem, e faz resoluções de vida pra que a semana seguinte não seja tão trash. Mas quando você aceita que as vacas andam magras e que você não possui uma vida amorosa, aceita que o mundo deu voltas bem estranhas e que você já não se sente mais em sintonia com as pessoas que antes se dava tão bem e aí você pára de ficar reclamando que tudo sempre dá errado, pára de ficar tentando inventar amores e fazer experiências bizarras com as suas emoções, tudo fica bem. Na verdade fica tudo maravilhosamente tedioso, mas e daí? Às vezes a gente cansa de um drama mesmo. E nada como ter outras coisas pra ocupar a cabeça. Faz bem! Eu recomendo...
Wednesday, March 26, 2008
Panic! at the market
Bom, essa história aconteceu com a amiga de uma amiga minha. Tá, agora que eu falei isso vai ficar mais que na cara que a história aconteceu comigo. Droga! Preciso aprender a mentir melhor. Mas enfim... Era domingo à noite. Eu e algumas pessoas estávamos tomando umas cervejinhas pra começar a semana bem, então chegou a hora de ir embora. Eu iria de carona com um amigo. Ok, na noite anterior nós tínhamos ultrapassado um pouco os limites da amizade e demos uns beijos, mas e daí? Amigo sincero beija na boca, certo?
Antes de nos retirarmos do recinto ele me perguntou: “Preciso passar no mercado antes de te deixar em casa. Tudo bem?” Eu respondi que sim. Não vi mal nenhum naquilo. Na hora de se despedir do resto do pessoal da mesa, perguntaram: “Mas por que estão indo tão cedo?” Nós respondemos que estávamos indo no mercado. E as pessoas malvadas da mesa retrucaram: “ONNN que bonitinhos! O casal vai fazer comprinhas!” PRONTO! Naquele momento algo que pra mim sempre foi tão do bem e tão inofensivo se tornou um pesadelo. Descobri que tinha uma certa fobia de ir ao mercado junto com alguém que eu estou ficando. Pode parecer estranho, mas pra mim soa como uma coisa tão séria, tão coisa de casal que tem um relacionamento sólido e estável. Algo que eu jamais estive perto de ter na minha vida e meio que evito também, porque eu não sou muito fã de relacionamentos. Mas isso não vem ao caso agora.
Ir com a mãe, o pai, amiga é uma coisa. Agora ir com alguém que você beija na boca e anda de mãozinha dada é outra. De qualquer maneira aquela ida ao mercado foi tranqüila. Não terminou em pedido de casamento nem nada assustador, mas me deixou traumatizada e desde então eu não fui a mesma no que diz respeito à mercados. Até que um belo dia resolvi enfrentar meus medos e acompanhar meu interesse amoroso nas compras. E olha que eu fujo de ir ao mercado como o diabo foge da cruz, porque além de me dar medo, eu acho esse tipo de programa uma chatice. Porém naquele dia surpreendentemente me vi cantarolando e sapateando no mercado. É, tipo feliz da vida mesmo.
Sei lá, quando você realmente gosta de alguém fazer compras, pagar contas, enfrentar filas e outras coisas chatas que gente grande faz se tornam divertidas. Tudo fica tão lindo e colorido que até o inferno parece um lugar agradável se você estiver na companhia dessa pessoa. Tá, nem tanto. O importante é que naquele dia eu descobri que o problema não era ir ao mercado em si, mas com quem você vai ao mercado. E felizmente acho que superei meu trauma de mercados. Sim, finalmente uma história com final feliz por aqui.
Antes de nos retirarmos do recinto ele me perguntou: “Preciso passar no mercado antes de te deixar em casa. Tudo bem?” Eu respondi que sim. Não vi mal nenhum naquilo. Na hora de se despedir do resto do pessoal da mesa, perguntaram: “Mas por que estão indo tão cedo?” Nós respondemos que estávamos indo no mercado. E as pessoas malvadas da mesa retrucaram: “ONNN que bonitinhos! O casal vai fazer comprinhas!” PRONTO! Naquele momento algo que pra mim sempre foi tão do bem e tão inofensivo se tornou um pesadelo. Descobri que tinha uma certa fobia de ir ao mercado junto com alguém que eu estou ficando. Pode parecer estranho, mas pra mim soa como uma coisa tão séria, tão coisa de casal que tem um relacionamento sólido e estável. Algo que eu jamais estive perto de ter na minha vida e meio que evito também, porque eu não sou muito fã de relacionamentos. Mas isso não vem ao caso agora.
Ir com a mãe, o pai, amiga é uma coisa. Agora ir com alguém que você beija na boca e anda de mãozinha dada é outra. De qualquer maneira aquela ida ao mercado foi tranqüila. Não terminou em pedido de casamento nem nada assustador, mas me deixou traumatizada e desde então eu não fui a mesma no que diz respeito à mercados. Até que um belo dia resolvi enfrentar meus medos e acompanhar meu interesse amoroso nas compras. E olha que eu fujo de ir ao mercado como o diabo foge da cruz, porque além de me dar medo, eu acho esse tipo de programa uma chatice. Porém naquele dia surpreendentemente me vi cantarolando e sapateando no mercado. É, tipo feliz da vida mesmo.
Sei lá, quando você realmente gosta de alguém fazer compras, pagar contas, enfrentar filas e outras coisas chatas que gente grande faz se tornam divertidas. Tudo fica tão lindo e colorido que até o inferno parece um lugar agradável se você estiver na companhia dessa pessoa. Tá, nem tanto. O importante é que naquele dia eu descobri que o problema não era ir ao mercado em si, mas com quem você vai ao mercado. E felizmente acho que superei meu trauma de mercados. Sim, finalmente uma história com final feliz por aqui.
Friday, March 07, 2008
Cheers darlin'
Um brinde as más escolhas. Ao tempo perdido. As mentiras. Aos erros. As decepções. As expectativas. Aos problemas. As traições. As esperanças. As lágrimas. As omissões. À dor. À indiferença. Ao desespero. À melancolia. Ao ressentimento. À angústia. Ao vazio. Ao arrependimento. As desilusões. Ao sofrimento. À amargura. Ao rancor. À tristeza. À incerteza. À obsessão. Ao ódio e ao amor, claro.
Viva!
Viva!
Monday, February 04, 2008
Lágrimas e chuva
Há alguns dias atrás estava passando de carro e vi uma moça chorando e comentei com a minha amiga: “Nossa, que trash. Chorando no meio da rua. Acho que nunca fiz isso!” Ram, mas que balela. Claro que eu já fiz isso. Não lembro como, onde, nem porque, mas certamente já fiz. Lágrimas fora de hora são assim mesmo, não pedem licença e já vão saindo. Não importa o lugar e a ocasião. Elas não fazem cerimônia.
Pode acontecer quando você está na faculdade, na farmácia, no mercado, no bar, na rodoviária. Ou às vezes você está lá sentada no ônibus (mas tem que ser sentada porque senão você vai ficar pensando que queria estar sentada mas não dá porque a porcaria do ônibus está cheio e que na real você precisa de um carro pra se locomover), olha pela janela e começa a pensar em tudo que está errado na sua vida e pronto: Quando você percebe elas já estão brotando em seus olhos. As benditas lágrimas. Aí você não sabe se dá vazão à emoção e se descabela de chorar ou se procura lencinhos na bolsa pra enxugá-las antes que todo mundo perceba que você não consegue disfarçar suas emoções. Mas quer saber? Foda-se o que os outros vão pensar, afinal é provável que você nunca mais veja aquelas pessoas na vida mesmo. Que diferença faz?
Sou a favor do direito de chorar em lugares públicos. Porque em casa sozinha não é a mesma coisa. Falta aquela adrenalina de ficar se escondendo dos outros pra ninguém perceber. Em casa você chora, grita, xinga, bate com a cabeça na parede, se descabela e não vai ter ninguém pra te olhar com uma cara desconfiada. Como se chorar fosse uma coisa realmente horrível. Se reprimir é que é terrível, isso sim. Chorar faz bem, como diria meu pai. Claro que não resolve porcaria nenhuma, mas e daí? É bom extravasar. Aliás, me admira que eu não encontre uma pessoa chorando a cada esquina porque vamos ser francos: O mundo não é um lugar tão feliz assim, longe disso.
Fiquei imaginando o que poderia ter acontecido de tão ruim com a moça do inicio da história. Eu devia ter saído do carro e ido abraçá-la, embora provavelmente ela ia achar que eu fugi de algum manicômio porque ninguém sai na rua abraçando desconhecidos. Mas não importa... Acho que ela estava precisando e da próxima vez que eu ver alguém numa situação parecida vou fazer isso.
Pode acontecer quando você está na faculdade, na farmácia, no mercado, no bar, na rodoviária. Ou às vezes você está lá sentada no ônibus (mas tem que ser sentada porque senão você vai ficar pensando que queria estar sentada mas não dá porque a porcaria do ônibus está cheio e que na real você precisa de um carro pra se locomover), olha pela janela e começa a pensar em tudo que está errado na sua vida e pronto: Quando você percebe elas já estão brotando em seus olhos. As benditas lágrimas. Aí você não sabe se dá vazão à emoção e se descabela de chorar ou se procura lencinhos na bolsa pra enxugá-las antes que todo mundo perceba que você não consegue disfarçar suas emoções. Mas quer saber? Foda-se o que os outros vão pensar, afinal é provável que você nunca mais veja aquelas pessoas na vida mesmo. Que diferença faz?
Sou a favor do direito de chorar em lugares públicos. Porque em casa sozinha não é a mesma coisa. Falta aquela adrenalina de ficar se escondendo dos outros pra ninguém perceber. Em casa você chora, grita, xinga, bate com a cabeça na parede, se descabela e não vai ter ninguém pra te olhar com uma cara desconfiada. Como se chorar fosse uma coisa realmente horrível. Se reprimir é que é terrível, isso sim. Chorar faz bem, como diria meu pai. Claro que não resolve porcaria nenhuma, mas e daí? É bom extravasar. Aliás, me admira que eu não encontre uma pessoa chorando a cada esquina porque vamos ser francos: O mundo não é um lugar tão feliz assim, longe disso.
Fiquei imaginando o que poderia ter acontecido de tão ruim com a moça do inicio da história. Eu devia ter saído do carro e ido abraçá-la, embora provavelmente ela ia achar que eu fugi de algum manicômio porque ninguém sai na rua abraçando desconhecidos. Mas não importa... Acho que ela estava precisando e da próxima vez que eu ver alguém numa situação parecida vou fazer isso.
Saturday, January 26, 2008
No surprises
Tem alguma coisa nova pra fazer? Não! É, deve ser por isso que prefiro ficar em casa numa sexta-feira à noite. Ler, ver filme, comer, escrever ou dormir é mais produtivo que apertar o rewind e depois assistir a mesma coisa de sempre. As mesmas pessoas, os mesmos assuntos, as mesmas músicas, as mesmas bebidas, os mesmos fiascos.
Que tal um novo romance? Ih, melhor não. Inventar um novo amor nunca dá certo mesmo. Depois de escrever uma tragédia de final de ano com um desfecho bizarro o roteirista do seriado resolveu tirar férias e se mandou pra alguma ilha tropical, já que o clima de Curitiba anda uma porcaria. Férias mais que merecidas, devo admitir. “Mas e o show, como fica?” Perguntam os telespectadores. O show fica um saco. A falta de emoção desse ínicio de temporada já começou a refletir na audiência, que anda dando traço.
Acho que preciso de um novo roteirista pra temporada 2008. Cansei do antigo. As histórias dele já não emocionam mais como antigamente. Também preciso de novos ares, novos personagens, nova locação, novo figurino, nova maquiagem...
Que tal um novo romance? Ih, melhor não. Inventar um novo amor nunca dá certo mesmo. Depois de escrever uma tragédia de final de ano com um desfecho bizarro o roteirista do seriado resolveu tirar férias e se mandou pra alguma ilha tropical, já que o clima de Curitiba anda uma porcaria. Férias mais que merecidas, devo admitir. “Mas e o show, como fica?” Perguntam os telespectadores. O show fica um saco. A falta de emoção desse ínicio de temporada já começou a refletir na audiência, que anda dando traço.
Acho que preciso de um novo roteirista pra temporada 2008. Cansei do antigo. As histórias dele já não emocionam mais como antigamente. Também preciso de novos ares, novos personagens, nova locação, novo figurino, nova maquiagem...
Monday, January 21, 2008
Vira o disco, porra!
Quando você decide parar de sair contando tudo da sua vida por aí, você sente que evoluiu espiritualmente, se tornou uma pessoa mais sábia. Mas na verdade você só decidiu ficar quieta porque sabia que as pessoas iam meter o pau se soubessem o que você andava fazendo por aí nesses dias de ausência. Mas chega uma hora que não dá mais pra agüentar e você decide romper o silêncio. As pessoas precisam saber em que mar de lama você se meteu dessa vez. E você também precisa ouvir palavras de afeto e consolo dos seus amigos. Então você reclama. Reclama muito mesmo. No meio da rua, às 3 da manhã. E você não tá nem aí se tá fazendo um escândalo, gritando, esperneando e acordando as pessoas porque você precisa colocar tudo pra fora. Você passou do seu limite, aliás passou tanto do limite que já nem sabe mais onde ele costumava ficar. E convenhamos que escutar demais e falar de menos não combina com você.
Naquela noite você dorme aliviada, parecendo ter tirado um peso de seus ombros. Um peso que você mesma decidiu carregar e está ciente disso porque agora você virou uma adepta fervorosa do carma e sabe que tudo que aconteceu foi culpa sua mesmo. Tem malditas horas nas nossas vidas que a gente resolve se auto-punir. Uma espécie de pagamento de pecados com juros e correção monetária. E assim os dias vão passando, com você reclamando e seus amigos pacientemente ouvindo. Coitados. Mas esses amigos foram eleitos por você como pessoas que você pode contar tudo. Eles te amam e precisam te aturar. Mas até você cansa de você mesma uma hora. Então decide deixar essa história pra lá. Você finalmente vira o disco e resolve tocar ritmos menos perigosos. O travesseiro é seu melhor amigo nesses dias. E se tem uma coisa que realmente irrita são noites em claro por causa da bendita insônia. É um saco você ser privada de uma das coisas que mais gosta de fazer, não?
Eis que você percebe que atingiu a 3ª idade com 20 anos porque sua vida se baseia em comer, dormir e ver televisão. Em determinado momento você se pega assistindo Anaconda 2 (como se o primeiro já não tivesse sido ruim o suficiente). Para você isso tem alguma coisa de assustador. Será que você realmente chegou ao fundo do poço? Seria o principio do fim? Melhor nem pensar muito sobre esse assunto. Como dizem, “depois da tormenta vem a calmaria”. Sei lá, deve ser uma mistura de inferno astral, crise existencial, bloqueio criativo, bagunça mental e tédio. Ok. Você queria paz, tá reclamando do que agora? Da rotina enfadonha e do marasmo? Pois é meu bem, ter que virar o disco é um saco mesmo.
Naquela noite você dorme aliviada, parecendo ter tirado um peso de seus ombros. Um peso que você mesma decidiu carregar e está ciente disso porque agora você virou uma adepta fervorosa do carma e sabe que tudo que aconteceu foi culpa sua mesmo. Tem malditas horas nas nossas vidas que a gente resolve se auto-punir. Uma espécie de pagamento de pecados com juros e correção monetária. E assim os dias vão passando, com você reclamando e seus amigos pacientemente ouvindo. Coitados. Mas esses amigos foram eleitos por você como pessoas que você pode contar tudo. Eles te amam e precisam te aturar. Mas até você cansa de você mesma uma hora. Então decide deixar essa história pra lá. Você finalmente vira o disco e resolve tocar ritmos menos perigosos. O travesseiro é seu melhor amigo nesses dias. E se tem uma coisa que realmente irrita são noites em claro por causa da bendita insônia. É um saco você ser privada de uma das coisas que mais gosta de fazer, não?
Eis que você percebe que atingiu a 3ª idade com 20 anos porque sua vida se baseia em comer, dormir e ver televisão. Em determinado momento você se pega assistindo Anaconda 2 (como se o primeiro já não tivesse sido ruim o suficiente). Para você isso tem alguma coisa de assustador. Será que você realmente chegou ao fundo do poço? Seria o principio do fim? Melhor nem pensar muito sobre esse assunto. Como dizem, “depois da tormenta vem a calmaria”. Sei lá, deve ser uma mistura de inferno astral, crise existencial, bloqueio criativo, bagunça mental e tédio. Ok. Você queria paz, tá reclamando do que agora? Da rotina enfadonha e do marasmo? Pois é meu bem, ter que virar o disco é um saco mesmo.
Saturday, January 19, 2008
Ano novo, vida velha
O que está acontecendo? O que nós estamos fazendo? Aonde tudo isso vai dar? Isso é certo? O que você realmente quis dizer com isso? O que eu sou pra você? O que deu errado? De quem é a culpa? Será que algum dia...? Meu Deus! Quanta pergunta desnecessária! Na verdade, acho que não preciso mais saber dessas respostas, então resolvi deixar pra lá. Sei lá, ultimamente o que eu mais tenho pensado é em não pensar. Tipo um exercício diário mesmo. O meu costume de ficar racionalizando e procurando sentido em todas as coisas não tava fazendo bem pra minha saúde mental, aí resolvi praticar essa nova técnica revolucionária, já que a última (a de arranjar problemas maiores que o anterior), não deu certo. Mas calma aí, deixa eu explicar direito. Eu não virei um ser alienado aos acontecimentos do mundo. Devo deixar bem claro que eu apenas evito com todas as minhas forças pensar no que pode me fazer mal se eu refletir demais sobre. Se ater a detalhes pode ser bem perigoso, afinal alguém bem esperto já disse: O diabo mora nos detalhes. Outro procedimento importante que incorporei no meu dia-a-dia é sempre esperar o pior dos outros porque expectativa só gera decepção no final das contas. Aí quando acontece, e geralmente acontece, eu apenas digo: Ah, já estava esperando por isso mesmo. O que evita aborrecimentos maiores. Claro que é imprescindível sempre manter o otimismo diante das circunstâncias. Se cair na rede é peixe e o que vier é lucro. Assim que funciona. E por fim e não menos importante, tomei a decisão de não tomar decisões. Não estou apta pra fazer escolhas no momento e a fuga me parece a melhor forma de adiar resoluções definitivas. Esse negócio de “nunca mais” me assusta, então prefiro não correr riscos e sair correndo mesmo. Pode dizer que tudo isso não passa de auto-enganação e que eu sou fraca e covarde. Foda-se! Porque como diria minha prima: O importante é ser feliz. E se eu estou feliz assim, o resto é resto! E tenho dito...
Saturday, November 03, 2007
Trastes S.A.
Certa noite na faculdade encontrei uma amiga que não via há tempos e ela me perguntou:
- E aí Bruna, continua enrolada?
Antes mesmo de pensar em alguma resposta, uma outra amiga que estava junto respondeu por mim:
- Ih, a Bruna conseguiu encontrar alguém mais falcatrua que ela!
Eu apenas ri e concordei, mas depois pensando mais a respeito do assunto cheguei a conclusão que as pessoas deveriam vir com etiquetinhas de alerta do tipo: “Olha, sou psicopata, ciumenta(o) e meio instável, cuidado!” Facilitaria tanto a vida e evitaria taaaantas decepções. Se bem que eu tenho medo do que poderia vir escrito na minha etiqueta. Hê. Então melhor deixar pra lá a idéia...
- E aí Bruna, continua enrolada?
Antes mesmo de pensar em alguma resposta, uma outra amiga que estava junto respondeu por mim:
- Ih, a Bruna conseguiu encontrar alguém mais falcatrua que ela!
Eu apenas ri e concordei, mas depois pensando mais a respeito do assunto cheguei a conclusão que as pessoas deveriam vir com etiquetinhas de alerta do tipo: “Olha, sou psicopata, ciumenta(o) e meio instável, cuidado!” Facilitaria tanto a vida e evitaria taaaantas decepções. Se bem que eu tenho medo do que poderia vir escrito na minha etiqueta. Hê. Então melhor deixar pra lá a idéia...
Friday, October 19, 2007
Nada demais
Eu adoro o horário de verão. Por que? Porque quando eu chego na faculdade ainda é dia. E daí? E daí que eu gosto e pronto, ué! Se não fosse pelo horário de verão eu não teria visto um arco-íris quando cheguei pra assistir aula na terça. Na verdade achei que fosse uma alucinação porque quando fui mostrá-lo pras pessoas ele já não estava mais lá. Mas o problema é que eu estava apontando pro lugar errado. Sei lá. Me deu uma certa alegria contemplar tal fenômeno da natureza. Por um breve momento esqueci que eu estava com preguiça de assistir aula e que meus pés estavam encharcados por causa da chuva que me pegou de surpresa. Eu odeio o clima de Curitiba. Nunca dá pra saber que roupa usar pra sair de casa. Porém uma coisa eu aprendi: Guarda-chuva é acessório indispensável. Mas continuando o tema “coisas que eu adoro” ontem eu estava no ponto de ônibus ouvindo música e pensando como eu adoro a comida da minha avó e como eu senti falta disso nesse mês que ela precisou se ausentar. Eu estava pensando nisso até que fui interrompida em meus devaneios por um menino surgido do além que disse: “Acabei de sair do médico. Tô com muita dor de cabeça”. Eu displicente respondi: “Que chato”. E ele: “Agora eu tô com mais ou menos dor de cabeça”. E eu pensei: “Tá, quem perguntou? Eu realmente não quero saber dos teus problemas mocinho, porque eu já tenho os meus pra me preocupar.” Mas pra não ser tão estúpida apenas respondi: “Acontece”. Pessoas são estranhas. O que ele queria que eu fizesse? Ficasse comovida com seu drama pessoal e fosse na farmácia comprar analgésicos pra ele? Ah tenha dó... Será que se eu reclamasse que meu all-star está com um rombo no calcanhar ele ficaria triste por mim? É, acho que não... Além de pessoas sem assunto, outra coisa que eu odeio são chaves e fechaduras. Ou melhor, elas me odeiam. Tenho uma dificuldade bem séria pra abrir portas e portões. De duas uma: Ou é macumba ou eu devo ser persona non grata em todos os lugares que tento entrar, incluindo minha casa. Meu sonho é um dia poder me reconciliar com as chaves e fechaduras do mundo e poder entrar livremente nos lugares sem encontrar empecilhos. Mas tá, chega de conversa fiada. Eu fiquei enrolando esse tempo todo só pra dizer uma coisa: Estou com saudades.
Monday, October 15, 2007
Sunday, bloody sunday
Eu odeio domingos. Sério mesmo. Com todas as forças do meu coração! Domingo geralmente não tem nada de interessante pra fazer e como não tem nada de interessante pra fazer você começa a pensar e se você pensa demais é óbvio que não vai resultar em algo bom. Aí bate aquela bad sinistra mesmo. Normal. Mas antes que isso aconteça você sai de casa. Sinuca no domingo sempre vai bem, certo? Teoricamente sim.
Tá tudo correndo bem até que entre um gole e outro de um vinho ruim pra burro você resolve abrir seu coração e conta suas últimas façanhas no mundo da falcatruagem. Óbvio que você é advertida pelo seu comportamento inconseqüente porque as amigas, aquelas de verdade mesmo, metem o pau em você sem dó nem piedade. Dói, mas críticas construtivas sempre são bem vindas. Posto que cheguei a uma conclusão: Se não quer realmente saber o que os outros pensam, não se atreva a perguntar se não estiver preparada psicologicamente pra ouvir a resposta. Mas enfim...
Naquele dia chegando em casa pensei: Finalmente acabou essa merda de dia! Pff... Doce ilusão. Quando deitei minha cabecinha no travesseiro esperando por lindos sonhos fui acometida por uma estranha sensação. Algo que já não se manifestava com essa intensidade no meu ser há algum tempo. Alguns costumam chamar isso de loucura. Eu chamo de amor. Então tive de fazer algo para acabar com essa agonia. Peguei meu caderninho e desatei a escrever. Depois de encher várias linhas com frases de efeito e apelar para alguns clichês, hipérboles e romantismo barato, finalmente consegui pegar no sono alimentando no peito um sentimento que segunda-feira seria o dia de fazer mudanças significativas na minha vida. Mas logo que acordei aquela idéia de transformação pessoal, tomada de decisões e todo esse blá blá blá foi pro lixo, junto com o monte de baboseira que escrevi durante a madrugada. Bem que meu horóscopo tinha dito pra eu não criar esperanças sobre alguma coisa. Que saco!
Engraçado que nesses momentos de arrependimento sempre me vem à cabeça a música “Look what happened” do Less Than Jake: “And I swear it's the last time and I swear it's my last try.” Eu já devo ter dito pra mim mesma que seria a última vez umas 73 vezes, mas acaba que eu sempre penso: Ah, só mais uma vez não vai fazer mal, e tá feita a merda (de novo). Mas tudo bem. Dessa vez não houve maiores problemas. Há males que vem pra bem. O que me fez chegar a minha 2ª conclusão: Não queira ter discussões sobre relacionamentos inexistentes. Porque quem procura acha. Acha problema. E é por essas e outras que odeio domingos. Se bem que as segundas não ficam muito atrás...
Tá tudo correndo bem até que entre um gole e outro de um vinho ruim pra burro você resolve abrir seu coração e conta suas últimas façanhas no mundo da falcatruagem. Óbvio que você é advertida pelo seu comportamento inconseqüente porque as amigas, aquelas de verdade mesmo, metem o pau em você sem dó nem piedade. Dói, mas críticas construtivas sempre são bem vindas. Posto que cheguei a uma conclusão: Se não quer realmente saber o que os outros pensam, não se atreva a perguntar se não estiver preparada psicologicamente pra ouvir a resposta. Mas enfim...
Naquele dia chegando em casa pensei: Finalmente acabou essa merda de dia! Pff... Doce ilusão. Quando deitei minha cabecinha no travesseiro esperando por lindos sonhos fui acometida por uma estranha sensação. Algo que já não se manifestava com essa intensidade no meu ser há algum tempo. Alguns costumam chamar isso de loucura. Eu chamo de amor. Então tive de fazer algo para acabar com essa agonia. Peguei meu caderninho e desatei a escrever. Depois de encher várias linhas com frases de efeito e apelar para alguns clichês, hipérboles e romantismo barato, finalmente consegui pegar no sono alimentando no peito um sentimento que segunda-feira seria o dia de fazer mudanças significativas na minha vida. Mas logo que acordei aquela idéia de transformação pessoal, tomada de decisões e todo esse blá blá blá foi pro lixo, junto com o monte de baboseira que escrevi durante a madrugada. Bem que meu horóscopo tinha dito pra eu não criar esperanças sobre alguma coisa. Que saco!
Engraçado que nesses momentos de arrependimento sempre me vem à cabeça a música “Look what happened” do Less Than Jake: “And I swear it's the last time and I swear it's my last try.” Eu já devo ter dito pra mim mesma que seria a última vez umas 73 vezes, mas acaba que eu sempre penso: Ah, só mais uma vez não vai fazer mal, e tá feita a merda (de novo). Mas tudo bem. Dessa vez não houve maiores problemas. Há males que vem pra bem. O que me fez chegar a minha 2ª conclusão: Não queira ter discussões sobre relacionamentos inexistentes. Porque quem procura acha. Acha problema. E é por essas e outras que odeio domingos. Se bem que as segundas não ficam muito atrás...
Sunday, September 23, 2007
Perdas e ganhos
Eu perdi as horas. Perdi meus fones de ouvido. Perdi o cadarço do meu tênis. Perdi o ônibus. Perdi minha camiseta favorita. Perdi o juízo. Perdi 11 reais. Perdi meu isqueiro. Perdi o sono. Perdi minhas chaves. Perdi a aula. Perdi a fome. Perdi meu anel. Perdi tempo. Perdi a rosca do meu alargador. Perdi a certeza. Perdi alguns amigos. Perdi o carregador do meu celular. Perdi o fio da meada. Perdi algumas apostas. Perdi a paciência. Perdi as esperanças. Perdi a vontade de estar triste. Perdi você. Me perdi também, mas foi pra te encontrar.
Eu ando perdendo coisas demais ultimamente, mas pelo menos eu me achei de novo. E você que é um leitor atento deve ter notado que o título do texto é “Perdas e ganhos”. Pois então... O que eu ganhei nessa história toda? Ganhei minha liberdade. E eu não poderia querer presente melhor.
Eu ando perdendo coisas demais ultimamente, mas pelo menos eu me achei de novo. E você que é um leitor atento deve ter notado que o título do texto é “Perdas e ganhos”. Pois então... O que eu ganhei nessa história toda? Ganhei minha liberdade. E eu não poderia querer presente melhor.
Monday, September 10, 2007
The show must go on
Depois de uma longa e tenebrosa temporada no inferno negociei minha passagem de volta com o chifrudo e aqui estou eu de novo, com alguns arranhões e escoriações, mas inteira. A recepção foi mais calorosa do que eu esperava. Muitos sorrisos, abraços e congratulações. “Que orgulho, Bruna. Já tava na hora hein?!” E já estava na hora de voltar mesmo. Não vou dizer que foi um passeio agradável, mas devo admitir que os ganhos foram maiores que as perdas. Pois é, vejam só, até me tornei uma pessoa mais otimista. O que um tempinho assando no caldeirão do capeta não faz com as pessoas, não? As escolhas feitas ultimamente podem não ter sido as mais acertadas, mas em determinadas situações não importa a escolha que se faça, contanto que se faça alguma. Melhor do que ficar sem escolha. Desde meu regresso, os dias têm passado rápido e disso não posso reclamar. Mas talvez a rotina tenha se tornado um pouco enfadonha. Não tem acontecido nada de muito emocionante. Anda faltando um pouco de drama, discórdia e confusão. Pra falar bem a verdade já estou ficando com saudades da morada do diabo e espero não demorar muito para visitá-la novamente. Acho que já estou preparada psicologicamente pra arranjar sarna pra me coçar de novo. Sim, eu amo problemas e eu sei que eles me amam também, fazer o que...
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