Sunday, April 25, 2010

Equilíbrio distante

Uma das coisas mais interessantes que eu ouvi na faculdade (e não tinha nada a ver com Publicidade e Propaganda) foi a seguinte frase: “A felicidade reside no meio-termo entre os extremos. O vício está nos extremos.”
Na verdade é uma questão que me faz pensar até hoje. Por que diabos é tão difícil atingir o equilíbrio? Por que é tão mais fácil pender para algum lado da balança e agir antagonicamente sempre? Claro que se eu fosse uma pessoa comedida e sensata, provavelmente estaria me perguntando: “Por que não consigo ser porra-louca e inconseqüente?” Normal. As pessoas geralmente não estão satisfeitas com o modo como elas são e sempre estão tentando mudar, mesmo que falhem miseravelmente na maioria dos casos. Sim, modificar certos hábitos adquiridos ao longo de uma vida às vezes é extremamente penoso. Mas não é impossível, claro.
Aliás, admiro muito as pessoas que têm a capacidade de parar, pensar, avaliar as conseqüências e agir de forma racional. Sério, acho fantástico, mas não consigo. Infelizmente, eu sou extremista e impulsiva. Daquele tipo que faz alguma coisa e no minuto seguinte já está arrependida, se remoendo e dizendo que não vai acontecer de novo. Mas ah, sempre acontece de novo... Esse tipo de situação ocorre em escala bem freqüente, diga-se de passagem.
E não é que eu ache que não sou feliz porque sou do tipo 8 ou 80. Não tem muito a ver com felicidade, mas é que trabalhar nos extremos e agir impulsivamente me ocasiona uma série de problemas. Ser sensato até que traz uma sensação boa, mas sei lá, é meio tedioso. Talvez eu deva aceitar o desequilíbrio da minha balança e aprender a apreciar isso. Talvez ser coerente não resolva porra nenhuma no final das contas.

Saturday, April 17, 2010

Because friends don't waste wine...

When there's words to sell. Pois é. Amigos, amigos. Amores à parte. Ninguém fica por aí desperdiçando álcool se tem algo mais em jogo. Às vezes, nem sei porque perco meu tempo pedindo conselhos amorosos para os amigos, pois eles sempre vêm com aquele papo: “Abra o coração pra razão do seu afeto e veja o que acontece”.
Que mané abrir o coração! Exposição nunca resolveu a vida de ninguém, muito menos a minha. E uma coisa é fato, sabe? No fim das contas nós sempre estamos ligados se o nosso interesse amoroso está ou não na nossa. As pessoas estão o tempo todo enviando sinais. E quando surge aquela dúvida “Ó, céus, será que ciclana está na minha?” É porque provavelmente ela não está. Porque se ela estivesse, vocês estariam fazendo algo produtivo sobre isso e você não estaria perdendo tempo com devaneios.
As pessoas geralmente não mandam sinais truncados sobre o amor, porque simplesmente elas estão na sua ou não. Simples assim. É tudo uma questão de percepção. Na verdade, nós sempre sabemos o que está rolando, mas preferimos dar uma chance para a dúvida e se enganar. Afinal, é muito melhor pensar que TALVEZ a fulaninha esteja a fim de dar uns malhos do que ter a CERTEZA que ela não está nem aí pra você, ou que ela só quer ser sua amiga.
Eu sei que tudo que eu queria ouvir, era o oposto do que eu já sabia. Desde o começo eu deveria ter pedido aconselhamento para mim mesma. Pois a resposta com relação ao que eu deveria fazer sobre esse amor todo irradiando do meu ser, seria: SEJA INDIFERENTE E NÃO VÁ ATRÁS. ELA NÃO VAI FICAR COM VOCÊ.

P.S. Não sei onde li uma vez que o amor é como uma planta, que se você não regar, morre. Ainda bem... Porque senão eu estaria na merda.

Sunday, April 11, 2010

Where is my mind?

Quando questionei se ela realmente estava disposta a jogar tanto tempo de convivência no lixo, ela me respondeu sem pestanejar: “Já joguei”, ao passo que retruquei: “Eu não vou simplesmente fingir que nada aconteceu. O sentimento é meu e eu faço o que bem entender com ele”.
Ela riu e começou a se dirigir lentamente para a saída do bar, então finalizei: “Eu vou te amar para sempre”. Sabe-se lá porque diabos eu disse isso. Não posso dizer que era uma mentira, tampouco posso afirmar que era verdade. Afinal, foram tantos altos e baixos que seria impossível datar qualquer sentimento que fosse, ainda mais tratando-se de uma jura de amor eterno. Ok. Talvez eu tenha exagerado no meu comentário, mas na hora juro que precisei dizer isso.
Ela ficou calada e subiu as escadas enquanto meus olhos acompanhavam seus movimentos. Ela não olhou uma única vez para trás. A desgraçada era forte. Ou pelo menos aparentava ser. Ao contrário de mim. Senti lágrimas rolando pelo meu rosto, mas não havia mais nada a ser feito ou dito. Tudo tinha ido parar na lata de lixo, como ela mesmo tinha mencionado. Voltei pra casa chorando copiosamente. Coisa que não fazia há tempos. Não por ela pelo menos, pois achei que estava tudo resolvido. Achei...
O engraçado é que aproximadamente seis meses depois desse episódio cá estou eu, num domingo à noite, gripada, fudida, mal paga e pensando: PUTA QUE PARIU! O que eu tinha na minha cabeça pra amar tanto essa criatura? NADA, certo? Pois é. Que bom que o tempo passou e eu tomei vergonha na cara... Mesmo!

P.S. Que venham los otros amores, porque agora estou preparada!

Saturday, April 10, 2010

Perdidos

- Nossa, esse cara não me é estranho! Será que ele apareceu em alguma outra temporada?
- Hum, pode ser... Mas será que você não viu ele em algum filme que assistiu?
- Não cara. Ele apareceu no Lost sim. Ele apagava a memória das pessoas, lembra?
- Olha... não lembro, não. Mas também não duvido. Sempre acontece umas coisas bizarras no seriado.

(...)

- Dã. Lembrei onde vi o sujeito! Viajei na maionese... O cara da memória é do Heroes e não do Lost.
- É, bem que eu achei que essa história de apagar a memória das pessoas tava muito mal contada. Se bem que se os caras viajam no tempo, nada impede que exista um magrão aí apagando a memória do galerê. Vai saber né...

P.S. Imagina se Lost não tivesse aquele resuminho básico contando os últimos acontecimentos da série: quem assiste iria ficar BEM perdido realmente...

Sunday, March 14, 2010

O horóscopo e a libertação

Numa daquelas acaloradas discussões de bêbados envolvendo tópicos de suma relevância para a existência humana, o assunto que entrou em pauta foi a astrologia e até que ponto ela influencia, se é que causa alguma influência, na personalidade e no curso da vida de alguém.
A princípio fiquei em cima do muro, pois não vou negar que durante muito tempo tive o hábito de consultar diariamente meu horóscopo, além de ler informações e características relacionadas ao meu signo. Óbvio que nunca levei nada daquilo que estava escrito muito a sério. É o tipo de coisa que você lê e o logo abstrai, pois não te agrega absolutamente nada. Veja, por exemplo, meu horóscopo de hoje: “Relacionamentos voltam a fazer parte de suas preocupações. Mas desta vez de forma positiva. Você sabe que algo deve mudar, mas sabe também que muito dessas mudanças não está em suas mãos. Relaxe e deixe o Universo fazer a sua parte.” Relaxar e deixar o Universo fazer o que ele bem entender? Ok! Vai dizer que não são ótimas palavras para trazer alento para um domingo chuvoso e cinzento? Juro que queria conhecer a pessoa responsável por escrever essas coisas. Pensa só: São 12 signos e são 365 dias por ano. É muita ladainha pra inventar e escrever ao longo do calendário. Haja criatividade...
Enfim, o fato é que agora, pensando com mais clareza (leia-se sóbria) sobre a questão, não vou negar que talvez seja uma ilusão acreditar que a posição do sol com relação às constelações, no momento do nascimento de alguém, de alguma maneira afete a personalidade e as relações desse ser. Como diabos alguém vai saber alguma coisa da minha vida e mais, prever algum acontecimento, simplesmente baseado no horário que eu nasci e a posição que os astros ocupavam naquele fatídico momento? É meio arbitrário e inconcebível.
Mas independente de acreditar ou não e apesar de ter me libertado do meu vício, ainda leio meu horóscopo às vezes, porque tem dias que nós não queremos ser racionais e nos apegamos a qualquer vestígio de esperança que o nosso dia não será um tédio total e quem sabe algo de incrível aconteça, tipo encontrar um novo amor, receber um prêmio ou quem sabe ganhar rios de dinheiro...

Monday, March 08, 2010

Doses homeopáticas

Todo mundo tem um amigo que se viesse com uma bula, deveria conter a restrição: “Utilizar em doses homeopáticas”. Porque, convenhamos, existem indivíduos que às vezes conseguem ser uma companhia bem desagradável, e por mais que gostemos dessa pessoa, quanto menos você vê-la melhor para sua sanidade mental.
Não sei o que acontece, mas ocasionalmente você fica algum tempo sem entrar em contato com determinada pessoa, chega até a sentir saudade da criatura e quando a encontra, pensa: “Como eu pude aturar esse ser por mais de cinco minutos em algum momento da minha existência?” Ótima pergunta! Muitas vezes os amigos de doses homeopáticas possuem bom coração, boa índole e são até mesmo simpáticos, porém de alguma forma conseguem ser irritantes: seja porque são egocêntricos, gostam de se vangloriar e não são nada modestos, falam tanto que chega a dar uma convulsão mental, estão sempre discordando de qualquer coisa que você fale, só reclamam e ficam choramingando, inventam histórias estapafúrdias ou porque simplesmente não são muito inteligentes. Os motivos podem ser vários, no entanto, algo torna aquele sujeito muito chato em momentos que você não está lá esbanjando paciência. Quem sabe num passado muito distante ou não tão distante assim, vocês possuíam mais afinidades e se davam maravilhosamente bem, mas a realidade agora é outra baby: seu amigo é um porre e toda vez que ele abre a boca você se imagina esfaqueando-o para que ele cale a boca. Certas vezes dá até vergonha de apresentar o camarada pros outros amigos.
Mas o que fazer? Não pode destratar o colega não é? Mas também não precisa dar trela pro figura, a não ser que você esteja num daqueles dias onde quer testar seus bons modos e ver até onde vai sua calma. A minha eu sei que não vai muito longe, por isso eu sigo a bula e evito doses cavalares...

Thursday, March 04, 2010

A arte de espantar pretendentes

Conhecer um novo alguém é sempre uma ótima oportunidade de se reinventar e não cometer os mesmos erros. E quando eu digo reinventar, não quero dizer MENTIR sobre seu passado obscuro e sim OMITIR esses detalhes, transformando o mar de lama que você se envolveu em algo produtivo.
O ideal é que menções a esses períodos conturbados de sua vida sejam esporádicas e não comprometedoras, ou seja: só responda o que te perguntarem! Não saia contando tudo sem motivo. Mas se você é como eu e peca pelo excesso de informações, muita calma nessa hora. Evite, por exemplo, dizer que seus relacionamentos não duram mais de um mês porque você enjoa fácil das pessoas. Não comente que fidelidade não é o seu forte e que você não fica de consciência pesada depois que mente ou faz alguma merda, porque seu novo affair pode achar que você não é alguém muito confiável. Além disso, não confidencie que quando você bebe você não liga para absolutamente mais nada e faz o que bem entender. E por falar em beber não revele os fiascos envolvendo bebida alcoólica nos quais você já se envolveu, pois o pretê pode concluir que você não é uma pessoal normal (e talvez não seja mesmo).
Caso você saia com essa pessoa para o agito, não comece a mostrar todos os peixinhos que caíram na sua rede, porque a partir daí ela pode presumir que você é meio vadia, e você não quer que ela pense isso de você. Quer? Outra coisa importante é não expor que tipo de falcatrua você andou aprontando por aí, pois seu novo amor pode se assustar com a tua falta de vergonha na cara e de amor ao próximo. Ah, e se você ver algum ex e te der um aperto no peito, deixe pra chorar até ficar desidratada EM CASA e SOZINHA. Não comece a se descabelar na frente do pretê porque pega mal. Aliás, o assunto ex é um tabu. Ex bom é ex morto. Portanto, jogue um caminhão de areia nessa história e deu. Mas caso perguntem por que seus relacionamentos anteriores deram errado, você sempre tem a opção de colocar a culpa no falecido. Afinal a culpa é sua e você a joga em cima de quem você bem entender. Outro aspecto crucial é não mostrar logo de cara as peculiaridades e manias estranhas que você possui e procurar evitar também surtos psicóticos, gritos, crises ou qualquer tipo de siricutico, pois isso pode assustar seu novo par romântico. E por fim, se a tua moral por aí andar mais baixa que cu de cobra, e a tua caveira já estiver feita para o pretendente, aí fudeu. Só te resta pedir o benefício da dúvida.
Claro que se você for uma pessoa do bem, que não traz em seu currículo qualquer tipo de atividade sórdida que você está tentando desesperadamente esquecer e que não tenha absolutamente nada para esconder, não há motivos para se preocupar, porque quem não deve não teme, certo? Certíssimo. Como eu devo, com certeza eu temo.

Thursday, November 26, 2009

Conversa de botas batidas

Você me pediu para ler os seus textos e dar uma opinião. Eis o que eu acho a respeito da situação: Acredito que pensar demais faz mal. Sério! E pensar demais e não tomar nenhuma atitude é ainda pior. Acho que muitas vezes nós sabemos EXATAMENTE como proceder, mas a falta de coragem impede a tomada de uma decisão definitiva. É tudo culpa do medo do fracasso. Ninguém gosta de perder. Eu nunca gostei. Eu sempre quis ser a melhor em tudo que eu faço. Nunca me conformei fácil. Mas sei lá, na vida sempre estamos perdendo alguma coisa mesmo, é normal. Inclusive a vergonha na cara. Hê.
O problema é que só nos concentramos nas perdas e não nos ganhos. É tudo uma questão de perspectiva. Por exemplo, quando eu estava loucamente apaixonada por X, pensei que nunca conseguiria viver sem aquela criatura. Então eu tomei a decisão errada e tive que arcar com as conseqüências dos meus atos. Foi difícil demais, porém ninguém disse que ia ser fácil mesmo. O importante é que depois de tudo eu notei que tinha ganhado algo maior e bem mais precioso. A amizade e um lugar no coração de X que ninguém nunca vai conseguir tirar (HAHA que gay, mas é verdade). Se valeu a pena todo o sofrimento? Lógico que valeu. Obviamente que se eu pudesse voltar no tempo faria tudo diferente. Mas eu não posso. E ficar me lamentando de nada ajuda também. Passou, a vida continua. Assim que funciona. E muitas vezes esquecemos também que a liberdade é o melhor presente que poderíamos ganhar. Não tem sensação melhor que se livrar das algemas que te prendem ao coração de outra pessoa. Mas enfim...
Quer outro exemplo? No dia que eu conheci Y, que iria arrancar meu coração do peito e sambar em cima, também conheci outras duas pessoas que iriam se tornar muito próximas de mim e que iriam me ajudar durante minha trajetória pelo inferno. Pois é, são as compensações da vida. Valeu a pena todo esse martírio? Sempre vale. Eu evoluí espiritualmente. Vejo as coisas de forma diferente e se não tivesse passado por essa desgraceira toda eu ainda seria a mesma tonha de sempre.
Você me questionou se eu acredito que exista apenas um amor pra vida inteira. E não, eu não acredito. Acho que no final das contas as pessoas acabam sendo meio substituíveis. Às vezes é você que encontra uma pessoa substituta outras vezes você é substituída. Mas creio que em meio a todas essas trocas, substituições e putarias é sempre possível encontrar um novo amor. E esse novo amor pode ser mais arrebatador e intenso que o anterior ou menos. As pessoas são diferentes e acabam nos completando de formas diferentes. A vida é imprevisível e você tem que se abrir pra esse lado inesperado dos acontecimentos. Ninguém nunca encontra o amor quando sai procurando. Quando te conheci, eu não estava te procurando. Simplesmente você apareceu numa sexta feira qualquer. Logicamente que certas pessoas sempre vão ter um lugar especial no nosso coração, mas dessas pessoas a gente só guarda as lembranças com carinho e pensa nelas nos momentos de nostalgia. SÓ. Ficar se prendendo ao passado e lembrando como você já foi feliz não ajuda ninguém. Guardar raiva e ódio no coração também não é lá de grande utilidade.
E sei lá, o amor simplesmente acontece. Ele não agenda horário e nem bate na porta. E quando ele chega você SABE que a partir daquele momento tudo vai ser diferente. Acho que você não precisa fazer muito esforço para as coisas acontecerem porque elas simplesmente acontecem e acontecem muito rápido. Tão rápido que quando você percebe não dá mais pra fugir e simplesmente se rende...

Monday, September 21, 2009

The lost art of keeping a secret

Sempre fui um livro aberto, mas de uns tempos pra cá ando encontrando dificuldades em confiar nas pessoas e me abrir e isso é um saco! Fico me coçando de vontade de compartilhar meus segredos mais sórdidos e todo o mar de lama que me envolvi e nem posso.
Na verdade nem é questão de poder contar ou não, é mais sobre dever ou não. Mas como meu auto-controle não é lá dos melhores, sempre acabo desatando a falar e divido todas as mazelas que tomam conta de meu ser com alguém. E me arrependo no minuto seguinte. É uma merda!
O mais estranho de tudo é que pra desconhecidos não faço nenhuma cerimônia e abro meu coração sem um pingo de remorso. Lembro de um garoto que conheci no trabalho uma vez e após dois dias partilhando cigarros e cafés, eu já estava expondo toda minha vida. Não sei por que, mas eu sabia que podia falar tudo pra ele. E é engraçado, pois fiquei meses sem conversar com o referido rapaz e esses dias o encontrei no ônibus e comecei a relatar algo que tinha acontecido comigo que nem tencionava contar a ninguém. Me senti muito mais leve depois daquele papo.
Sei lá, tem pessoas que transmitem confiança e que você sabe que pode contar todo tipo de sujeira sem nem precisar dizer "Olha, não comenta nada disso com ninguém, ok?" Já outras, você tem certeza que depois de confidenciar algo, metade da paróquia vai ficar sabendo.
Às vezes me canso de ter conversas superficiais. Eu quero mais. Não há nada melhor do que ter por perto alguém que te entenda e que você possa falar sobre tudo que se passa com você. Seus sonhos, medos, frustrações, alegrias, planos, fracassos. Porque convenhamos, quando você fica mantendo muito as coisas pra si chega uma hora que transborda. Você surta.
Não adianta, confiança é a base de qualquer relacionamento. Cheguei a conclusão que se você não confia em alguém é melhor nem ter essa pessoa por perto porque é inútil. "Você precisa de alguém que te dê segurança, senão você dança". Dança mesmo.

Thursday, September 17, 2009

Chega de saudade

Às vezes, quando não tem nada melhor para fazer, você resolve ouvir música, fumar um cigarro atrás do outro e pensar na vida. Em meio a vários devaneios você se flagra pensando naquele amor do passado que deu errado. Se bem que considerando as circunstâncias é até estranho que tenha durado tanto. Mas enfim...
Você começa a lembrar de situações, lugares, frases, músicas. A saudade te invade. Mas é uma saudade morna, daquele tipo que é preferível nem sentir. Aí você se questiona: Como tudo foi acabar tão mal? Bom, essa é fácil de responder. É porque já começou mal. De repente, o Winamp resolve tocar a música de vocês. Aquela que fazia você sair correndo na balada ao encontro da razão do seu afeto, cantar aos berros e viver os 3'14'' mais felizes da sua vida. Mas ah baby, você devia saber que o Paul Banks estava certo o tempo todo. Era tarde demais.
O engraçado é que agora você não consegue mais ouvir essa bendita música e sempre que ela começa a tocar, você pula para a seguinte. E não é porque ela traz memórias à tona. É porque você ouviu tanto, mas tanto, que encheu o saco. Assim como aquele sofrimento repetido ad infinitum.
O fato é que você não sente mais saudades daquela pessoa e sim daquele sentimento que te arrebatou. O que você queria na verdade era amar loucamente de novo. Sentir toda aquela intensidade. Ter aquela inspiração que inebria para escrever páginas e páginas declarando todo seu amor. Você queria um daqueles amores que te fazem perder a compostura e a dignidade. O mundo parece ter proporções administráveis quando você o considera dentro desses parâmetros. Do contrário ele parece tão solitário e enfadonho.
Pois é, a falta de um amor é um tédio só. O problema é que nesse caso, quem procura não acha. Ou só acha trastes. "Não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue". Ainda bem esse semestre você tem uma monografia da faculdade pra ficar BEM distraída...

Thursday, September 03, 2009

Let's get excited - Parte II

A festa começou cedo e terminou cedo. Não era nem meia noite e todos já estavam na cama de pijaminha e banho tomado.
Quando acordamos dia seguinte fizemos a triste constatação que a casa estava destruída. O caos reinava absoluto. Dava até medo de ver. Por esse motivo decidimos adiar a faxina. Pedimos comida no Habib’s e sei lá que diabo de conta fizemos, mas gastamos cerca de 60 reais em 5 pessoas. Sobrou MUITA esfiha.
Como todo mundo que permaneceu na casa acordou de ressaca, optamos por fazer um programinha light sábado à noite: Alugamos um filme e compramos um monte de porcarias pra comer. O filme era horrível. Sério, deve ter sido uma das piores coisas que assisti nos últimos tempos. E não sei exatamente se foi a coca-cola em excesso, o brigadeiro, a pipoca ou o salgadinho, mas o grupo teve sérios problemas gastrointestinais depois da sessão cinema. Contudo, é melhor nem entrar em detalhes sobre isso.
Aí no domingo não tinha escapatória: A patrulha da limpeza teve de entrar em ação. Ninguém estava muito animado pra limpar nada, mas do além começamos a ouvir uma música no último e nisso chegou a dona da casa com uma vassoura fazendo uma coreografia bizarra. Nascia nesse dia a dança da faxina, embalada por Le Tigre. Foi lindo de ver e não teve quem não quis limpar a casa depois daquela cena. Aliás, até hoje as amigas dançam freneticamente e relembram os passos da coreografia quando ouvem essa bela canção.
É. Fiascos e mistérios à parte, o fim de semana foi memorável e deixou muitas saudades. E se o objetivo do feriado era se estragar, missão cumprida! Mas é isso aí minha gente: Quem não bebe não tem história e quem bebe demais acorda azul. Eu que o diga...

Saturday, August 29, 2009

Let's get excited - Parte I

Era Sexta-Feira Santa, a casa da amiga estava liberada e como ótimos cristãos que somos, achamos que seria interessante fazer um retiro espiritual para refletir sobre nossas vidas e buscar a paz interior. Tá, mentira. Nós resolvemos fazer uma festinha onde a idéia era beber até cair.
Cheguei por volta das 13 horas na casa da anfitriã e fui recebida calorosamente com um copo de Whisky. Naquela tarde Kaipy também fazia parte do menu de bebidas. E pra quem nunca teve o imenso prazer de se deleitar com esta iguaria, ela encontra-se a venda no Mercadorama mais próximo da sua casa. Além de vir numa garrafa de plástico (olha só que beleza, dá até pra reciclar depois) e ser vendida a um preço módico, tem alto teor alcoólico. Fica a dica!
Ok, confesso, a Kaipy é horrorosa. E por isso resolvemos fazer caipirinha de verdade num recipiente comprado especialmente para a festa: Um balde. Depois dessa parte não me lembro direito o que aconteceu, sei que rolou um PT coletivo no evento. Juro. Nunca vi tanta gente capotada junta. Pensando bem eu não vi nada porque depois de vomitar horrores, juntei minhas últimas forças, caminhei até a beira da piscina, deitei e por lá resolvi ficar.
Alguma alma caridosa me levou para um dos aposentos da casa e por lá me largou, pois quando acordei não estava mais perto da piscina. Meu mundo ainda girava, mas criei coragem, levantei e fui me olhar no espelho pra ver se estava muito acabada. Eis que tive um choque: Eu estava azul. É, AZUL! Minhas excelentíssimas amigas aproveitaram meu estado de embriaguez e pintaram meu corpo com um pincel atômico. Desci com o capeta no corpo para tirar satisfações com as “artistas”, mas depois de começar a ouvir todos os fiascos da festa me acalmei. Além do mais isso não era nada comparado a outra amiga que também passou mal e resolveu pular a cerca elétrica da casa de dentro para fora e foi achada perto de uma árvore nas redondezas. Não sabemos ainda como a moça não morreu eletrocutada.
Outro mistério que ainda paira sobre essa festa é “Quem cagou no banheiro da suíte e não puxou a descarga?” Os principais suspeitos negam até hoje terem cometido tal ato. E seja lá quem tenha feito isso, o ser não limpou a bunda porque não havia papel higiênico nesse banheiro.

Friday, August 21, 2009

Salto from hell - Parte II

A última vez que usei salto foi no casamento do meu primo há 5 anos atrás e sinceramente não sei como agüentei ficar com aquele negócio no pé por mais de 4 horas seguidas. Acho que quando somos mais novos, somos mais tolerantes ao sofrimento. Sei lá...
Sei que se passaram alguns dias e eu fui chamada para uma outra entrevista. E como eu tinha colocado na minha cabeça que iria de salto, eu fui de salto. Ok, eu fui de tênis. Mas levei os benditos sapatos junto dentro da minha bolsa. Orra, dá um desconto né? Uso salto uma vez na vida, outra na morte. Não estou acostumada!
Desci no tubo perto da empresa, olhei pro cobrador e disse: “Não conta pra ninguém tá? Mas eu odeio usar salto.” E coloquei os sapatinhos e comecei a caminhar. Juro que foram as 3 quadras mais longas que já percorri na minha vida. Caralho! Andar de salto nas calçadas esburacadas de Curitiba é trash. Mas tudo deu certo e consegui chegar sem levar nenhum tombo. Menos mal!
Nesse mesmo dia tive outra entrevista na parte da tarde e fiz o mesmo esquema, fui de tênis e dessa vez resolvi fazer a troca no elevador. Fiquei torcendo pra ninguém entrar junto comigo, mas acabou entrando a zeladora do prédio e assim que comecei a descalçar meus tênis já fui logo me explicando. Não sei porque tenho mania de dar satisfação para estranhos, mas sempre dou. Disse para ela que odiava usar salto, mas que às vezes era necessário. Ela sorriu e concordou.
Não adianta, muitas vezes você é julgado pela aparência e pelo modo como se veste. Acho errado, mas as coisas são como são. Não tem como fugir de certas situações... E é por isso que eu digo: Quem não tem cão caça com gato. Quem não tem Jesus no coração usa salto! Juro que resolve. Bem, no meu caso pelo menos resolveu...

P. S. Depois dessa odisséia não pretendo me aventurar a usar sapatos com salto tão cedo novamente. Definitivamente não nasci pra essa vida...

Thursday, August 20, 2009

Salto from hell - Parte I

Como não tenho roupa social, normalmente quando vou a uma entrevista de emprego coloco no máximo uma camisa e tiro meu piercing do nariz. Mas vou de calça jeans e tênis mesmo. E deve ser exatamente por isso que não me contratam. Mas enfim...
Naquela quinta-feira não foi diferente. Coloquei minha camisa azul, calcei meu all-star branco e tomei meu rumo. Lembro bem que aquele dia meu cabelo não estava cooperando muito. Que ódio quando isso acontece! Quando cheguei à empresa já havia uma moça sentada esperando e ela foi chamada na minha frente para a entrevista.
Da sala de espera dava para ouvir o que a entrevistada e a entrevistadora conversavam, mas nem fiquei prestando atenção. Atentei para o fato de não estar me sentindo nervosa. Era esquisito na verdade, pois não me sentia à vontade em diversas circunstâncias, como em apresentações de seminários, por exemplo. Mas em entrevistas de emprego tudo sempre fluía tranqüilamente. Antes, durante e depois. O fato é que acho que nunca encontrei um trabalho que eu REALMENTE queria a ponto disso me deixar preocupada ou em pânico. Fiquei pensando nisso e em outras bobagens quando escutei: “Pois é, encontrei Jesus...” COMO ASSIM ENCONTROU JESUS, MOÇA? Logo na entrevista? Jogo sujo meter ele na história! Como eu iria competir com alguém que encontrou Jesus? A última vez que me perguntaram se eu conhecia Jesus, respondi sarcasticamente: “Pessoalmente não!” e a pessoa não ficou nada satisfeita.
Pra encurtar a história, na minha entrevista correu tudo bem. Mas algo me dizia que não ia dar certo. E eu estava certa. Não me chamaram, mas aposto que chamaram a moça que esbarrou com Jesus. Ok. Não fiquei sentida. Mas tomei uma decisão: Na minha próxima entrevista eu iria de salto alto.

Monday, August 17, 2009

Wake me up when August ends

Tem momentos na vida que a gente se enfia num buraco e não há livro de auto-ajuda, palavras reconfortantes, vodka ou filme com final feliz que te faça crer que coisas melhores estão por vir.
Dá uma preguiça existencial. Vontade de sumir do mapa. Dormir por um mês seguido. Não falar com ninguém. A apatia toma conta. Um certo tipo de desespero também. Quanto mais você pensa mais angustiada você fica. Parece não haver saída, que tudo e todos conspiram contra.
Aí você resolve beber para afogar as mágoas. O problema é que aparentemente as bandidas aprenderam a nadar. E nessas quem se afoga é você. Num mar de arrependimentos e auto-piedade. Que ótimo!
Não demora então, para a melancolia e a tristeza baterem à porta. E você as deixa entrar numa boa e pensa: “Ah, logo elas vão embora”. Só que essas duas são extremamente inconvenientes. Não te deixam ir para qualquer parte sem carregá-las junto. Te fazem companhia desde o momento que você acorda até a hora que você coloca a cabeça no travesseiro para dormir. E pior: Parece que resolveram prolongar a visita.
Em dado momento você aceita essa condição e desiste de tentar fazer qualquer coisa para mudar esse estado de espírito. Mas chega uma hora que... Que sei lá o que você faz, porque meu barco naufragou na Ilha da Tristeza e eu ainda não consegui sair de lá.
Provavelmente depois disso você pára e fala: “Opa, peraí! Não vou me entregar assim tão fácil!” Aí você levanta, sacode a poeira, expulsa a tristeza e as amigas dela, bota um sorriso na cara e abre a casa inteira pra esperança poder entrar. Afinal, se você não acredita que as coisas vão melhorar, quem é que vai acreditar nisso por você?

Sunday, August 16, 2009

Ensaio sobre a cegueira

A história foi mais ou menos assim: Há algum tempo atrás resolvemos fazer um churrasco (sem carne, claro) e convidamos os mais chegados. Até aí tudo bem. O detalhe é que uma dessas ilustres convidadas estava com conjuntivite, mas como somos pessoas praticamente sem frescuras e sem noção também, insistimos para que ela estivesse presente.
“Olha, o negócio é sério! Acho melhor vocês evitarem contato com ela.” Tentou alertar o pai da amiga quando foi deixá-la no evento. Óbvio que não ligamos pro perigo eminente e muito menos demos ouvidos ao sábio conselho paternal. “Ná, capaaaaaz! Não vamos pegar não.” Resultado? A moça disseminou a peste na festa e uma semana depois TODO MUNDO estava com conjuntivite. Coisa do demônio mesmo.
Doía horrores, coçava, ardia, lacrimejava. Uma maravilha! Além desses sintomas super agradáveis tive que ficar um mês sem usar lentes de contato, e pra quem não sabe eu sou míope. Muito míope. Praticamente preciso de uma bengala e um labrador para me conduzir pelas ruas quando não estou usando lentes.
Como eu não tinha óculos, emprestei do meu pai um par que era mais ou menos do meu grau. O problema é que como não era exatamente o grau que eu usava, acabava tornando-se incomodo ficar com o dito cujo por muito tempo, pois dava dor de cabeça e tontura. E pra ser bem franca, fiquei traumatizada com esses óculos porque a única vez que resolvi fazer uma aparição em público usando-os, acabei ganhando o apelido de Chiquinha. Depois dessa larguei MESMO os béts de usá-los na frente de outros seres humanos.
Mas voltando a saga da cegueira... Naquele mês minhas idas ao oftalmologista tornaram-se bastante freqüentes e como ninguém podia me acompanhar, eu ia sozinha mesmo, sem enxergar porra nenhuma direito. Então, numa bela tarde voltando do consultório fui pegar o Cristo Rei na Carlos de Carvalho. Estava lá toda bonitona esperando e quando vi uma coisa amarelinha se aproximando pensei: “Opa, já está no horário. Deve ser ele!” Fui até a beira da calçada e comecei a dar sinal, só que o ônibus passou batido. Nem pensei duas vezes: Comecei a xingar o motorista de vários nomes em alto e bom som.
Foi aí que olhei para a traseira do ônibus e vi alguma coisa escrita e também reparei melhor no formato dele. Nesse momento me dei conta que o ônibus não era um ônibus, o ônibus era um carro-forte!
Queria MORRER de vergonha porque havia várias pessoas no ponto, que provavelmente devem ter achado que eu tinha batido minha cabeça ou algo do gênero. Nem tive coragem de olhar para trás na verdade. Saí correndo para o próximo ponto porque juro que naquela hora, tudo que eu queria era me enterrar viva. Foi bizarro.
Depois de algum tempo uma amiga me ensinou uma simpatia pra trazer dinheiro quando você vê um carro-forte. Nunca testei. Minha experiência depois desse dia diz que ver um carro-forte além de não te render dinheiro nenhum pode te fazer passar vergonha. Maldita hora em que eu achei que não daria nada ficar perto da amiga que portava o vírus do satã...

Sunday, May 24, 2009

Be kind rewind

Sabe o que o e-mail, o Twitter e a SMS tem em comum? Não, não é uma daquelas piadas mongas do tipo: “O que há em comum entre um bolo queimado, uma cerveja estourada no congelador e uma mulher grávida?”
A verdade é que devo confessar que os três me dão um pouco de medo porque sabe como é né? Depois que foi, já elvis. Mandou e-mail xingando até a décima terceira geração da família do seu atual affair porque andou descobrindo uns podres dele/dela? Postou merda ou se excedeu em detalhes sórdidos? E eu sei que os 140 caracteres do Twitter parecem pouco, mas dá quase pra escrever o novo testamento com isso. Tááááá, menos. Mas dependendo do que você relata, pode ser informação demais. Mandou SMS embriagada se declarando? Bem, nos três casos a resposta é: FODEU. Um abraço pro gaiteiro porque não tem volta, meu bem. O(s) destinatário(s) vai/vão receber a mensagem e não há nada que você possa fazer a respeito disso. E no caso do Twitter é ainda pior, pois várias pessoas terão a oportunidade de ler a pérola que você escreveu.
Para as três situações o máximo que você poderá fazer é inventar alguma desculpa esfarrapada do tipo: “fui possuída por entidades demoníacas naquele momento e não quis dizer nada daquilo”, “estava muito bêbada e acabei agindo por impulso então, por favor, desconsidere minhas palavras”, “estava sob o efeito de poderosas drogas que afetaram meu discernimento de realidade e julgamento e acabei dizendo coisas que não deveria” ou ainda “bati a cabeça e não me lembro de nada disso”. Óbvio que provavelmente nenhuma delas cole muito, mas não custa tentar remediar...
Eu sei que o ideal e a chave para resolver esse probleminha de arrependimento pós-desabafo, seria uma atitude aparentemente bem simples: Pensar friamente antes de apertar o botão ENVIAR. Mas vem dizer isso pra mim que sou do tipo impulsivo? Se eu estou de cabeça quente, primeiro eu faço e depois fico analisando. Óbvio que isso normalmente me traz uma série de problemas. Mas infelizmente tem certos hábitos que são difíceis de se livrar.
Por isso que gosto do blog e do fotolog. Nada como uma segunda chance, sabe? Postou e não ficou satisfeito? EDITA ou DELETA e ponto final. E quem dera se na vida real existissem esses botõezinhos mágicos, ou quem sabe um botão Rewind. Seria tããããão útil...

P. S. Não há nada em comum entre um bolo queimado, uma cerveja estourada no congelador e uma mulher grávida. Mas se você tivesse tirado antes, nada disso teria acontecido. HA HA HA

Thursday, May 21, 2009

Vamos nos permitir

É engraçado como uma frase aparentemente tão do bem pode te levar a lugares que você nem imagina. Você está lá no bar bebendo uma cervejinha e de repente, quando se dá conta, está à beira-mar segurando um vinho barato vendo o sol nascer. Tá, ok. Não foi tão do nada assim.
Lembro-me que nem ia sair naquela sexta-feira, mas como de costume, uma força maior não me permitiu ficar em casa. A idéia, a princípio, era tomar umas cervejas no Café do Teatro e depois esticar para o Wonka. Programinha super do bem, ou ao menos eu imaginava que seria.
Porém, depois de vááááárias cervejas, absintos, amaretos, whiskys e sei lá mais o que a amiga sugeriu: “Vamos num motel que tenha piscina porque eu quero nadar.” Óbvio que todo mundo ficou meio relutante ao desejo da estimada colega e então ela completou: “Vamos nos permitir gente!” E num momento de pouca lucidez coletiva acabamos aceitando. Cada louco ou bêbado com a sua excentricidade, não é? Deixa a menina nadar...
A próxima coisa que me recordo é de estar na BR andando com uma motorista pra lá de empolgada que tirava as mãos do volante pra cantar Avril Lavigne. Aliás, escutamos o cd da Avril umas 95 vezes porque era o único existente no carro e no final de nossa jornada, todos sabiam as letras de cor, salteado e se bobear de trás pra frente.
Não sei exatamente como ainda, mas chegamos com vida ao local de destino. E como estávamos em cinco e não tínhamos tanto dinheiro pra investir nessa história de motel com piscina resolvemos “ocultar” três pessoas no carro pra pagar só por um casal. Sei lá que diabos eu tinha na minha cabeça, mas concordei em me esconder no porta-malas com uma amiga e devo dizer que não pretendo fazer isso tão cedo novamente na minha vida.
Infelizmente nossos esforços foram em vão e acabaram descobrindo nosso plano maligno depois que entramos no quarto. Contudo, ainda entusiasmados com a idéia de nos permitir, que era reforçada pela amiga a cada cinco minutos, tivemos a fantástica idéia de ir para o Parque Barigui ver o sol nascer. Mas o Barigui era pouco for nóis naquela noite e quando vi estávamos descendo pra Guaratuba. Tá, confesso. A brilhante sugestão foi minha. Mas como diriam: “O que é um peido pra quem tá cagado?”
Vinho barato na mão (que sei lá da onde surgiu) e pézinho descalço na areia pra ver o sol nascer. Se bem que a gente chegou meio atrasado pra isso na verdade, mas chegamos! E como nós já estávamos por lá mesmo acabamos passando o fim de semana na praia na casa dos pais da amiga à base de geladinho (que era a única coisa que tinha na geladeira e ninguém tinha mais dinheiro).
A parte mais triste foi a volta pra casa no domingo. Roupas cheias de areia, ressaca, aquela cara de sexta-feira e uma pitada de melancolia. Mas como diria o Lulu: “Não há tempo que volte amor. Vamos viver tudo que há pra viver. Vamos nos permitir." Se bem que na próxima pretendo me permitir um pouco menos porque tenho medo da onde eu possa parar...

Saturday, May 02, 2009

Belos e malditos

Numa bela tarde de domingo disseram pra Chapéuzinho vermelho tomar cuidado com o Lobo mau porque ele pegava menininhas pra fazer mingau e tinha o coração peludo. "Faça o que você tem que fazer e depois dê um chute na bunda dele". Mas a tontinha nem deu bola pros avisos e começou a sair e se envolver com ele, que era meio psicopata e inconstante, mas dono de um charme praticamente irresistível. Aliás, até hoje o segredo de sedução do Lobo é um mistério para ela, que não sabe direito o que viu nele.
A verdade é que Chapéuzinho sempre teve um dedo meio podre e adorava os tipinhos problemáticos. E claro, o sobrenome do Lobo era problema. Apesar disso, ela sempre enxergou nele algo bom, sempre acreditou nele porque bem lá no fundo ele era um bom animalzinho. Não do tipo domesticável, logicamente. Mas isso ela demorou um pouco mais pra notar.
Jovem, ingênua e inocente, Chapéuzinho se apaixonou louca e perdidamente pelo Lobo malvadão, que realmente era um traste, só que ela cega de amor preferiu abstrair esse pequeno grande detalhe e na realidade não tava nem aí pra isso porque ela além de hipocondríaca, também era meio vadiazinha e fazia a linha do tipo que não julga. O que realmente importava é que parecia que ela finalmente tinha encontrado o que buscava há tanto tempo: Um lugar pra repousar seu amor. Óbvio que repousar foi o que menos o amor dela fez ao lado dele. O Lobo adorava brigar e se fazer de vítima sempre.
Mas independente dos comportamentos reprováveis do ser peludo, a encapuzada não desistia e achava que algum dia ele poderia mudar e eles seriam felizes para sempre. A tonha sempre se focou apenas naquilo que ele tinha de bom e talvez tenha exacerbado essas virtudes. Para ela o Lobo era O cara: Inteligente, sexy, charmoso, divertido e bom de cama. Quase pra casar. QUASE. Como o Lobo mesmo tinha dito para ela quando eles se conheceram, "cedo ou tarde a máscara cai" e a dele não demorou muito pra cair não. Egocêntrico, mentiroso, manipulador, mandão, reclamão e falcatrua. Tudo que a moçoila sempre sonhou em encontrar em alguém. Qualidades singulares reunidas num só ser. Imagina que maravilha! Não que ela fosse flor que se cheire, mas não era de jogar fora também. Aliás, acho que toda essa desarmonia e falta de caráter dos dois chegava até a ser meio romântico.
Pra encurtar a história, Chapéuzinho vermelho se fodeu de verde e amarelo, comeu o pão que o Lobo pilantra pisoteou e no final acabou com um coração mais peludo que o dele. E pra tentar esquecer o maldito, envolveu-se com várias pessoas, e nessas acabou magoando muita gente. A criaturinha tentou de tudo, mas no final acabou só causando a discórdia, partindo corações e fez um monte de coisas das quais não se orgulha e tudo isso porque seu coração ainda pertencia ao patife do Lobo.
O problema, de fato, é que a mocinha encapuzada sempre foi teimosa pra caralho e nunca gostou de perder. Nem na sinuca, nem no futebol e muito menos no amor. Talvez por isso ela tenha insistido por tanto tempo com o Lobo. Mas acontece que com o bandido do Lobo o buraco era mais embaixo e por mais malandra e sagaz que a Chapéu fosse, provavelmente ela jamais teria chances de vencê-lo. Talvez ela nem tenha amado o Lobo mau de verdade porque ela sempre teve o péssimo hábito de querer quem ela não podia ter e tava na cara desde o começo que ela não ia conseguir colocar ele na coleira não. Porém, como já mencionado anteriormente, Chapéuzinho era uma garota muito cabeça dura e sempre teve que aprender na base da porrada.
Atualmente eles não se falam mais. Claro que ela ainda pensa nele às vezes e quando bebe, ele é o primeiro da lista pra quem ela pensa em ligar de madrugada pra encher o saco. Aliás, a menina do capuz vermelho deveria ser proibida de fazer ligações e mandar mensagens quando está alcoolizada, mas isso não vem ao caso. Chapéu fez tudo que podia e o que não podia também (tsc, tsc) pra esse romance dar certo só que chegou uma hora que ela resolveu largar os béts. Ela havia ultrapassado seus limites e tentar ser só amiga do Peludão não tava rolando mais. Sei lá, era muito difícil para ela vê-lo com outras menininhas.
Mas que ela morre de saudades dele, ah ela morre... E quando ela vê o dito cujo manda o auto-controle dela pro espaço e continua a cavar uma cova ainda mais funda da que ela já está enterrada. Pobre garotinha. Imagine que tipo de pecados ou atrocidades ela cometeu numa vida passada pra merecer um carma peludo desses. Deve cagado e tacado pedra na cruz ou arrotado na santa ceia ou talvez tenha participado de algum genocídio porque não é possível viu...

Friday, April 17, 2009

De boas intenções o inferno está cheio - Parte II

Entrei, então, no portal de ação voluntária e como não tinha nada mais perto da minha casa acabei escolhendo, num momento de pouca sensatez, a Santa Casa de Misericórdia. Na realidade, tenho pavor de hospitais e sangue, mas achei que era hora de superar meus traumas e crescer como pessoa. Tá, mentira. Como a instituição é mantida pela PUC achei que não encontraria problemas no processo de obtenção de certificado. E também pensei: “Antes a Santa Casa do que o Cajuru”. Acho que pior que o Hospital Cajuru (também sustentado pela PUC) só o Hospital do Trabalhador em termos de gente que chega toda fudida e machucada.
Depois disso, liguei para o hospital e agendei uma entrevista com a coordenadora de voluntariado do local e fui lá bela e formosa conversar com ela sobre como ações desse caráter são edificantes e gratificantes. Preenchi todo um cadastro para trabalhar com eles, mas nem perguntei nada sobre certificados porque achei que daria muito na cara que meus interesses por lá eram outros. E na semana seguinte começaria então a ser voluntária no hospital.
Questionei minha mãe qual seria a forma mais delicada de tocar nesse assunto de obtenção de certificado, afinal eu não queria causar a impressão errada. Eu estaria lá pra ajudar porque tenho um coração bondoso e não porque estou atrás de horas complementares, ou pelo menos era o que eu queria que parecesse. Minha mãe achou que eu NÃO deveria aparecer lá na segunda e trabalhar antes de ter CERTEZA que conseguiria o certificado. Mas eu não tive coragem pra ligar lá e fazer a pergunta que não queria calar e acabar com todo o meu disfarce. Ao invés disso, pensei em perguntar, assim como quem não quer nada, na segunda durante o “hospitour” que eu faria com a coordenadora.
Na segunda, fui lá cheia de boas intenções (ou nem tanto assim), fiz o tour pelo hospital, tomei DUAS vacinas (que ficaram latejando pra caralho depois), acompanhei um outro voluntário que levava pacientes do leito até a sala de exames para ir conhecendo melhor o lugar, ajudei a coordenadora com seus problemas no maldito Excel e então no final da tarde, achei que era a hora e disparei para ela: “Então... Estou pra me formar no meu curso e andei conversando com a minha coordenadora e ela comentou comigo que trabalho voluntário e afins contam como horas complementares. Queria saber se trabalhando aqui com vocês, consigo certificado e tal porque vai me ajudar nesse negócio de atividades complementares”.
Ela gentilmente me respondeu que o protocolo do hospital não permitia a emissão de certificados porque eles queriam evitar gente mal intencionada, pessoas que tinham segundas intenções e que na realidade, não queriam ajudar somente ao hospital. E eu querendo me enterrar viva, respondi completamente ruborizada: “É, verdade. Tá certo mesmo. Tá cheio de gente assim por aí. Imagina!”
Nem preciso dizer que no dia seguinte não fui ao hospital, não é? Nem no outro dia. Mas resolvi ligar pra dar satisfações porque a coordenadora era uma pessoa extremamente amável e fiquei com a consciência pesada de deixá-la na mão e me sentindo no dever de me explicar. Respirei fundo e liguei. Bati a real pra ela. Coisa que eu deveria ter feito desde o princípio, por sinal.
Eu sei, eu sei. Eu sou uma pessoa terrível e minha passagem de ida pro inferno já está garantida (e não só por causa disso). E eu deveria ter ouvido a minha mãe. Droga! Mas dos males, o menor... Aprendi a lição: Essa história de mentir pra se enturmar não leva a lugar nenhum. Hê. Fica a dica!